Do leitorGeralOpinião

28 rotarianos

Por Jerry Mill

 

A história do Rotary, no Brasil e no mundo, está repleta de números e de pessoas que ajudaram a instituição a se tornar o que ela é hoje, capaz de influenciar positivamente a vida de milhões de seres humanos (e bichos) com seus projetos e ações todos os dias.

Em 1905, quando apenas quatro homens fundaram o primeiro Rotary Club na cidade de Chicago, no estado norte-americano de Illinois, eles provavelmente sequer imaginavam que sua ideia chegaria tão longe e seria tão presente ao redor do mundo nas décadas seguintes. Até mesmo porque a intenção deles era primordialmente contribuir com a melhoria da realidade da comunidade em que moravam ou trabalhavam.

Quase duas décadas depois, a instituição humanitária se instalou no Brasil, em 1923, na maravilhosa cidade do Rio de Janeiro. Outros 18 anos depois, em 1941, ela chegou à atual capital do estado de Mato Grosso, Cuiabá. Em 1957, foi a vez do município de Cáceres inaugurar o seu clube de Rotary, sendo seguido por Rondonópolis, onze anos depois, em 1968.

Mais exatamente no dia 22 de maio de 1968, quando uma reunião festiva realizada às 16h na Câmara Municipal (ainda na Avenida Cuiabá, onde hoje está o Museu Rosa Bororo) reuniu algumas dezenas de pessoas para testemunharem a apresentação do estatuto, do regime interno, dos seus integrantes (profissionais liberais, empresários, comerciantes e fazendeiros, em sua maioria) e dos membros da sua primeira diretoria.

Dentre as autoridades rotárias, lá estava Walter Fernandes Fidélis (1936-2016), representante do clube-padrinho, o Rotary Club de Cáceres. Além dele, o governador do então Distrito 451 (depois 447, 444 e hoje 4440), Taketoshi Higuchi (1929-2015), fez questão de reconhecer e parabenizar a cidade pelo evento histórico.

Nominal e sequencialmente, portanto, como aparece no documento lavrado naquele dia, numa espécie de reconhecimento e agradecimento a cada um deles, estes são os nomes dos primeiros rotarianos de Rondonópolis: Waldivino Alves, Eutímio Ferreira de Matos, Conrado Salles de Brito, Oswaldo Pinto, Dijalma Pimenta, Leonir Rodrigues da Silva, Odil Ferreira, Álvaro Pereira Nunes, Odenil de Campos Botelho, Pedro Cauhy, Afonso Egea Garcia, Adevair Ferreira Marques, Ivanildo Santos Fontoura, Paulo Lopes, Pedro Celestino Carloni, Luís Lopes Cristóvão, Walter de Souza Ulysséa, Arlindo Ratto, Ari Scavassa, Manoel Honório dos Anjos, Júlio Yochiy, João Batista Ferreira Borges, José Moraes Filho (Beda), José Hugney Amâncio, Josefino Francisco Ramos, Alael de Matos, Wilson Ferrari e Badih Dib.

Curiosamente, embora alguns fossem mato-grossenses, mas não rondonopolitanos, a maioria era natural dos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Goiás. E havia os estrangeiros também, advindos da Suíça, de Portugal e do Líbano. Dentre eles, de acordo com os documentos encontrados, o mais novo era Alael de Matos (nascido em Poxoréu/MT no dia 26 de julho de 1946), de apenas 22 anos, cuja classificação era “seguros em geral”; e o mais velho era Eutímio Ferreira de Matos (nascido em Cícero Dantas/BA no dia 9 de julho de 1917), de 51 anos, cuja classificação era “mercadorias em geral a varejo”.

Infelizmente, deste grupo pioneiro, a maioria já faleceu, deixando a sua contribuição e o seu legado para a instituição, para a cidade e para os seus familiares e amigos. Por outro lado, um pequeno número, que dá para contar nos dedos de uma das mãos, permanece vivo, morando em outras localidades e vivendo uma vida menos agitada e mais reservada, fruto da longevidade e da maturidade que atingiram.

Como forma de homenagem pelos serviços prestados, alguns dos que já se foram se tornaram nome de logradouros públicos (vias urbanas e praças, por exemplo), mas muitos deles, se não foram totalmente esquecidos, são mencionados somente aqui ou ali em eventos pontuais ou nos encontros reunindo diferentes gerações de parentes e amigos mais ou menos próximos.

Depois deles, de 1968 a 2025, somente no Rotary Club de Rondonópolis, em 57 anos, algumas centenas de rostos masculinos e femininos já fizeram parte das fileiras de voluntários do terceiro clube de Rotary mais antigo do estado. Costumeiramente, eu sei, muitos dos rotarianos e das rotarianas atuais pouco ou nada sabem sobre estes primeiros 28 integrantes da nossa instituição no município. Realidade esta que pode ser mudada, com certeza.
Daí a minha insistência no sentido de registrar e divulgar, enquanto podemos, a história não apenas dos membros do Rotary Club de Rondonópolis, mas mormente daquelas “(…) pessoas de alto gabarito moral, com tino filantrópico e bem-querer” dos demais clubes da cidade, como bem se expressou certa vez o companheiro Ari Scavassa, um dos “grandes e inesquecíveis” daquele grupo de 28 rotarianos pioneiros que ainda caminha e habita entre nós, dear reader.

 

(*) JERRY MILL é professor de língua inglesa, escritor, sebista e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis

 

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