Cultura

“Rondonópolis, 72 anos” e a sua emblemática capa

Foram feitas mais de uma centena de imagens do pé de Ipê-amarelo da Praça Brasil, que estava resplandecente, com sua cor amarelo-ouro, de frente para a avenida Amazonas. Acompanhamos o renomado fotógrafo Cesar Augusto na primeira incursão de avaliação e, depois, ele produziu inúmeras fotografias. Era meados de setembro de 2025.
Na minha modesta visão, temos uma bela praça, com um ipê-amarelo florido, e um tapete no chão aos seus pés, com a herma do marechal, discretamente observando as coisas e o tempo passar; o tão discutido coreto, no seu passado, e o seu empoderamento na atualidade; as palmeiras vivas e quase mortas; o verde e o amarelo, contrastando com a secura; uma bandeira nacional, querendo tremular, mas o vento não vem, e o tempo seco e quente não permite o desejo da nossa flâmula maior. No meio do tudo, para quem viveu ou sabe um monte da história dentro de uma imagem: do pau-brasil, dos Bororos dançando e se escarificando ali do lado no antigo campo de futebol onde está o EEMOP, em homenagem ao Marechal Rondon, quando da notícia da sua morte; do antigo pé de Ipê-amarelo, que foi plantado por estudantes do Projeto Rondon, conforme depoimento do músico Crisóstomo Franco, que presenciou o plantio, no início dos anos 1970, e que era símbolo escolhido como uma das sete maravilhas de Rondonópolis, em conjunto com a Praça Brasil. E eu produzi poemas sobre ele, quando estava verde, amarelo e até sem as roupas naturais. Veja:

Linda paisagem

Semente, somente
Água, solo e calor.
Broto germinado,
O tempo é sabedor.
Caule robusto,
Curvas sensuais,
Dois terços no meio,
Nódulos naturais.
Já vi com outras roupas,
Não foi a primeira vez.
Assisti de camarote
Toda sua nudez.
O sol e seus raios
Sazona e dá o tom.
Exubera,
Resplandece como neon.
Ar primaveril,
Um desfile belo.
Em cachos de ouro,
Contemplo o ipê-amarelo.
19.9.04

Realizei o “Concurso de Fotografia – Ipê-Amarelo da Praça Brasil”, com a premiação e o lançamento do cartão postal, em 14.11.2014. E ele tombou, exatamente em 10.03.2017, quando um temporal o levou ao chão. E, na missa do sétimo dia, eu lhe compus o poema:

Velando o Ipê-amarelo

Já era um ente
Querido.
Um ponto frondoso,
Florido.
Umas das sete maravilhas,
Perfeito,
Rejubilou
Eleito.
Escolhido,
Em dois mil e sete.
Vergou,
Em dois mil e dezessete.
Choramos aos prantos,
Velando nosso filho,
Numa cripta imaginária,
O seu eterno brilho.
Uma lufada de vento
O derrubou…
No sétimo dia,
Deus descansou.
17.3.17

Plantaram outro no seu lugar, mas não é o mesmo nem tem as suas cores.

 

Adeus, Ipê-amarelo!

A praça,
Já não é a mesma
Sem você.
Nem plantando uma resma.
Um aperto no coração
Senti quando lá passei.
Não estava.
Pranteei.
Verti lágrimas.
Perdemos o tesouro.
Via imaginárias flores.
Desciam da face, fios de ouro.
Sensação estranha,
De família velando.
Honraria,
Todos aflorando.
Foi-se
Eterno Ipê-amarelo.
Ficou a história.
Sem paralelo.
20.8.17

Dali, podemos contemplar a Igreja Matriz. Ao nos situarmos ao lado do monumento “Seriema”, obra do artista visual Valcides Arantes, e olharmos para a igreja, notaremos que a sua frente parece um barco, que vem navegando em nossa direção; do Museu Rosa Bororo, que já foi sede do Executivo, do Legislativo e do Tribunal do Júri, do Poder Judiciário, o qual nos recebeu para o “Sarau cultural”, no dia 29.09.25, quando apresentamos a capa escolhida por votos, realizamos o sorteio da ordem dos autores no livro, e definimos a data de lançamento do livro para 05.12.2025, às 19h00, na Biblioteca Rachid Jorge Mamed, em Rondonópolis – MT.
A belíssima capa tem a assinatura da sua concepção, pelo designer gráfico Marcelo Oliveira, da empresa Gráfica Famas. Ele a criou com o carinho e o primor que lhe são inerentes. Também trabalhou em tantas outras capas, que nos propomos a produzir em parceria, o que lhe rende muita experiência na área.
Podemos ver ainda o Banco do Brasil, que fez história por aqui, e teve que comprar recentemente uma pequena fração do Museu Rosa Bororo, sendo que a usa para o espaço do elevador. Igualmente, vê- se o vendedor de laranjas descascadas, num passado remoto, com uma máquina manual, que era o meu tio João Batista Ferreira Costa, o qual veio passear recentemente, e contou essa bela história, visto que está assistindo ora em Manaus, no Amazonas, ora em São José dos Pinhais, no Paraná, mas veio alimentar a alma por essas bandas.
Prometo que vou continuar essa crônica, para lê-la na íntegra, no dia 05 de dezembro de 2025, no lançamento do livro, se Deus permitir.
É isso!

Hermélio Silva, é escritor 
29.09.2025.

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