Polícia

Operação Libertas desmonta esquema de biopirataria e resgata 22 animais

Investigação começou após cobra ser encontrada em encomenda; ação revelou fraudes em sistemas ambientais e indícios de lavagem de dinheiro.

A Operação Libertas, deflagrada na quarta-feira (29), resultou na apreensão de 21 aves e uma cobra jiboia, totalizando 22 animais retirados do tráfico. Durante a ação, também foram apreendidos 22 gaiolas, 45 anilhas, três armadilhas e 76 cartões de identificação de aves, evidenciando o caráter estruturado das atividades ilegais. As multas aplicadas somam R$ 8,5 mil.

A operação teve como foco o combate à biopirataria e ao comércio ilegal de animais silvestres, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão e fiscalizações em criadouros suspeitos. O objetivo foi desarticular redes criminosas e proteger a biodiversidade brasileira.

Participaram da ação o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio da 15ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente da capital, a Polícia Civil de Mato Grosso e outros dez estados, a Polícia Militar de Proteção Ambiental, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e o Ibama.

A investigação teve início após uma serpente ser localizada em uma encomenda despachada por uma transportadora em Cuiabá, o que levou à descoberta de um esquema de tráfico de animais silvestres. Segundo o MPMT, a biopirataria representa uma grave ameaça à biodiversidade, ao patrimônio genético nacional e ao equilíbrio dos ecossistemas, além de causar prejuízos econômicos e científicos ao país.

“Nosso objetivo foi não apenas coibir práticas criminosas que ameaçam a biodiversidade brasileira, mas também reforçar o compromisso institucional com a preservação do patrimônio natural e o cumprimento da legislação ambiental. A biopirataria é um crime silencioso, mas extremamente nocivo, que envolve redes organizadas e causa prejuízos irreparáveis ao meio ambiente e à sociedade”, destacou a promotora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza.

Foram cumpridas ordens judiciais de busca e apreensão em quatro endereços — dois em Minas Gerais e dois em Cuiabá — e fiscalizações em quatro criadouros de animais silvestres na capital. A operação também visou a apreensão de espécimes, material genético e equipamentos utilizados nos crimes, além da identificação de rotas e pontos de coleta e transporte ilegal.

As equipes ainda identificaram fraudes em autorizações e cadastros ambientais, como o uso de documentos falsos e a manipulação de dados em sistemas oficiais, entre eles o Sisfauna, o SisPass e o Sisbio.

Além dos crimes ambientais, a investigação apontou lavagem de dinheiro, associação criminosa, crimes fiscais e receptação. Mais de 30 servidores participaram da ação, entre policiais, fiscais e representantes do Ministério Público.

Todo o material apreendido e os suspeitos foram encaminhados à Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), e os animais resgatados, ao Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental.

Leiagora
Foto: divulgação

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