Opinião

Brasil uma República das bananas, ou de bananas?

O termo “república das bananas”, criado pelo escritor americano O. Henry (William Sydney Porter) em 1904 no livro Cabbages and Kings, surgiu para satirizar países da América Central marcados pela instabilidade política e pela dependência econômica da exportação de bananas, muitas vezes controlada por empresas estrangeiras e por governos locais corruptos.

No Brasil, a expressão volta a ganhar força diante de sucessivos episódios envolvendo parlamentares que, mesmo foragidos ou residindo no exterior, seguem exercendo o mandato e recebendo salário normalmente.

Desde março deste ano, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está nos Estados Unidos, onde permanece enquanto cumpre agenda política e pessoal, apesar de não regressar ao país desde então. Ainda assim, continua no exercício do mandato.

Caso semelhante envolve a deputada Carla Zambelli (PL-SP), que deixou o Brasil e acabou presa na Itália, aguardando processo de extradição.

Outro episódio que gerou repercussão foi o do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado a 16 anos e 1 mês por participação na tentativa de golpe. Foragido desde setembro, ele teria deixado o país por via terrestre, apesar de ter os passaportes cancelados. Mesmo ausente, segue recebendo seu salário parlamentar, amparado por uma licença médica que vence em 12 de dezembro.

A condução desses casos tem exposto fissuras no Legislativo. A mesa diretora da Câmara dos Deputados não tomou medidas mais duras contra os parlamentares foragidos, o que tem alimentado críticas sobre permissividade e falta de rigor.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), chegou a fazer discurso elogiando Ramagem, a quem chamou de “perseguido”, atitude que ampliou o desconforto entre parlamentares e setores da sociedade.

A ausência de providências também atinge outros casos emblemáticos. O próprio Eduardo Bolsonaro, em suposto autoexílio, não teve seu mandato questionado pela Casa. Já o deputado Chiquinho Brazão, preso pela Polícia Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco, ainda não foi formalmente afastado pelo Plenário.

O cenário lança dúvidas sobre a capacidade do Congresso Nacional de cumprir seu papel como um dos pilares da República. Para críticos, o Parlamento vive um momento de descrédito que ameaça sua legitimidade e fragiliza o sistema democrático.

Diante disso, cresce o apelo para que os eleitores redobrem a atenção na escolha de seus representantes. Sem renovação de práticas e maior cobrança da sociedade, alertam analistas, o país continuará submetido a episódios que alimentam a pecha de “república das bananas”.

Da editoria – José Carlos Garcia

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