Autos e Motores

Stellantis cria centro de reciclagem e desmonta 370 carros nos primeiros 100 dias de operação em Osasco SP

Stellantis desmonta 370 carros em apenas 100 dias no 1º centro de reciclagem veicular do Brasil, com 246 toneladas de aço e alumínio reaproveitadas, 6 mil peças recuperadas, 66% das vendas feitas online e potencial para movimentar até R$ 14 bilhões por ano.

O centro de desmontagem da Stellantis reúne reaproveitamento de materiais, venda digital de peças e economia circular em escala industrial, com números iniciais que revelam tanto o potencial financeiro quanto os desafios operacionais do mercado de reciclagem automotiva no Brasil.

O grupo que reúne marcas como Fiat, Peugeot, Citroën e Jeep, informou nesta sexta-feira (12) o balanço dos primeiros 100 dias de operação do seu Centro de Desmontagem Veicular (CDV) em Osasco, na Grande São Paulo.

Desde a abertura, em agosto, a unidade desmontou 370 veículos e direcionou parte relevante dos materiais para reaproveitamento e reciclagem, segundo dados obtidos com exclusividade pelo Jornal do Carro.

O levantamento mostra que, na prática, o volume atual de desmontes ainda roda abaixo da capacidade projetada para o centro.

Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.

Ainda assim, a Stellantis sustenta que o indicador mais relevante não é apenas a quantidade de carros processados, mas o que se consegue recuperar deles com rastreabilidade e destinação ambiental correta, em um mercado historicamente marcado por informalidade e descarte irregular.

Resultados dos primeiros 100 dias do CDV da Stellantis

Nos 100 dias contabilizados pela montadora, o CDV recuperou 6 mil peças automotivas.

Desse total, 1,6 mil componentes foram vendidos, enquanto outros 4 mil permaneceram em estoque, de acordo com o balanço divulgado.

Quando o recorte é o de materiais, a empresa afirma ter reciclado 246 toneladas de aço e alumínio.

Além disso, o centro destinou 16 toneladas de plástico para reciclagem e encaminhou 1 tonelada de cobre para reaproveitamento.

A proposta declarada é retirar de circulação veículos sinistrados, fora de uso ou em fim de vida útil, separar itens com possibilidade de reutilização e colocar esses componentes no mercado por menos da metade do preço praticado em peças novas, sem abrir mão de identificação e controle de origem.

Venda online concentra a maior parte das peças recuperadas

A operação, que tem uma loja física na própria unidade de Osasco, registrou um peso elevado do comércio online no início do projeto.

Segundo a Stellantis, 66% das vendas ocorreram por canais digitais, enquanto o restante foi comercializado presencialmente.

Investimento de R$ 13 milhões e operação ainda abaixo da capacidade

O CDV começou a operar em 14 de agosto, com investimento de R$ 13 milhões, e foi apresentado pela Stellantis como uma planta voltada ao desmonte de veículos e à reciclagem de materiais e insumos.

No anúncio do projeto, a companhia informou uma capacidade anual de até 8 mil carros desmontados, baseada em uma operação com três turnos.

O desempenho do primeiro trimestre de funcionamento indica, no entanto, que a unidade ainda está em fase de rampagem e abaixo do potencial divulgado.

A diferença, segundo os números, está ligada ao fato de o centro trabalhar atualmente com apenas um turno, o que limita o total de veículos processados ao longo do dia.

Mercado de reciclagem automotiva pode movimentar bilhões

O contexto do setor ajuda a explicar por que a Stellantis e entidades da reciclagem automotiva tratam o tema como um mercado bilionário.

A estimativa citada é que cerca de 2 milhões de veículos cheguem ao fim da vida útil por ano no país, o que equivaleria a 4,17% de uma frota nacional de 48 milhões.

Apesar desse volume, apenas 1,5% teria destinação adequada, segundo dados atribuídos à Associação Brasileira de Reciclagem Automotiva (Abcar) e ao Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa (Sindinesfa).

Na leitura apresentada, isso significa que a maior parte dos veículos fora de circulação acaba abandonada, encalhada em pátios de Detrans, em leilões ou até em vias públicas.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *