Opinião

Editorial: Saúde um gargalo na gestão municipal

O município de Rondonópolis enfrenta, há anos, um dos seus maiores desafios estruturais: a saúde pública. A carência de investimentos em infraestrutura e em equipamentos de alta complexidade tem comprometido a capacidade de atendimento da rede municipal, que recebe pacientes de toda a região sudeste de Mato Grosso por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde, que abrange 19 municípios. A elevada demanda pressiona constantemente o sistema e se tornou uma preocupação recorrente para as gestões municipais.

O último investimento em hospital no município foi realizado pela Unimed, unidade que não atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já o Hospital Regional de Rondonópolis Irmã Elza Giovanella foi inaugurado em 3 de abril de 2002, há mais de 23 anos. Desde então, a unidade passou por reformas e adequações pontuais, consideradas insuficientes para suprir a crescente necessidade de ampliação de leitos.

Em 2020, a gestão anterior adquiriu um hotel desativado localizado na Avenida Lions Internacional, transformando-o em hospital. A medida, no entanto, não resolveu de forma efetiva o déficit de leitos na cidade. Outro problema considerado crítico é a escassez de médicos especialistas, situação que pode ser parcialmente amenizada com a implantação do programa federal “Mais Especialistas”.

Além da falta de profissionais, o município também sofre com a ausência de equipamentos hospitalares modernos voltados para atendimentos de alta complexidade e exames por imagem. Um dos exemplos mais preocupantes é a demanda reprimida na área de dermatologia, existente desde 2023, sem previsão de solução devido à falta de especialistas. A situação acende um alerta, especialmente em relação ao câncer de pele do tipo melanoma, que pode levar à morte se não diagnosticado e tratado precocemente.

Durante quase oito anos de gestão estadual, não houve planejamento para a construção de um novo hospital regional em Rondonópolis. Parlamentares estaduais, federais e o senador Wellington Fagundes também são citados como ausentes na articulação para viabilizar a obra. Em contrapartida, a gestão municipal anterior doou uma área para a construção de um Hospital Universitário, atendendo a uma solicitação da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR). O governo federal já destinou recursos, por meio do Ministério da Educação, para a construção da unidade, que deverá contar com 250 leitos.

Para este ano, a saúde pública de Rondonópolis contará com um investimento de R$ 609 milhões, valor destinado pela atual gestão municipal para atender a população em todas as regiões do município.

José Carlos Garcia/da editoriaEditorial: 

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