Polícia

Irmãos acusados de matar Raquel Cattani são julgados nesta quinta; relembre o caso

Julgamento ocorre um ano e meio após o crime que chocou Mato Grosso; sessão terá segurança reforçada, proibição de eletrônicos e acesso restrito ao plenário.

Um ano e seis meses após o assassinato da produtora rural Raquel Cattani, ocorrido em julho de 2024, o Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum (242 km de Cuiabá) inicia, nesta quinta-feira (22), a partir das 8h, o julgamento dos irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde.

A sessão será presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski e seguirá o rito do Código de Processo Penal, contando com a atuação do Ministério Público, das defesas e o depoimento de testemunhas, incluindo a mãe da vítima. O destino dos acusados será decidido por um Conselho de Sentença formado por sete jurados.

Para garantir a ordem e a dignidade dos envolvidos, a Justiça estabeleceu regras rígidas de acesso e segurança. O plenário terá capacidade limitada a 50 pessoas, sendo 25 vagas destinadas a familiares e outras 25 ao público em geral. O acesso será controlado pela Polícia Militar com o auxílio de detectores de metal e a segurança será reforçada pela Coordenadoria Militar do TJMT.

De acordo com a Resolução n. 645/2025 do Conselho Nacional de Justiça, o uso de aparelhos eletrônicos como celulares e notebooks é proibido no interior do plenário, exceto para os profissionais que atuam diretamente no processo. Além disso, manifestações públicas de autoridades estão vetadas para evitar qualquer tipo de interferência na decisão dos jurados.

A publicidade dos atos será restrita à Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, única autorizada a realizar gravações de áudio e vídeo durante o julgamento.

Os réus, que permanecem presos preventivamente, devem comparecer ao tribunal de forma presencial e sem algemas. Durante a sessão, a magistrada determinou que os objetos e as eventuais armas utilizadas no crime sejam apresentados ao júri. A decisão de agendar o julgamento levou em conta a complexidade do caso e o extenso volume de diligências realizadas ao longo da instrução processual.

Relembre o caso

Raquel Cattani, de 26 anos, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), foi encontrada morta com mais de 30 facadas dentro de um quarto de sua casa, na região do Pontal do Marape, em Nova Mutum, em julho de 2024. Fotos do local demonstravam um cenário de violência extrema, como uma televisão quebrada e muito sangue. A moto e o celular da vítima foram roubados, além de demais pertences. A perícia apontou que Raquel entrou em luta corporal antes de ser morta.

Empreendedora, ela era conhecida pela produção de queijos artesanais premiados internacionalmente, a vítima deixou dois filhos pequenos.

Cinco dias após o crime, a Polícia Civil prendeu o ex-marido da vítima, Romero Xavier, apontado como mandante do homicídio, e o irmão dele, Rodrigo Xavier, suspeito de executar o assassinato e simular um crime patrimonial para despistar as investigações. Inicialmente, o envolvimento de Romero havia sido descartado, mas novas provas mudaram o rumo do inquérito.

As investigações indicaram que Romero não aceitava o fim do relacionamento e teria planejado o crime, criando um álibi ao passar a noite em outra cidade. Segundo a polícia, ele retirou os filhos da casa antes do assassinato e deixou o irmão escondido nas proximidades do sítio onde Raquel morava.

Rodrigo teria atacado a vítima assim que ela chegou ao local, por volta das 20h, e depois revirado a casa, quebrado a televisão e levado objetos para simular um assalto. Pegadas, digitais e outros vestígios ligaram o suspeito à cena do crime. Após o assassinato, ele teria jogado a moto, o celular e a faca usada no crime em um rio.

Em depoimento, Rodrigo afirmou ter recebido R$ 4 mil de Romero para cometer o homicídio. Ambos permanecem presos e respondem pelo assassinato da empresária.

Leiagora

Foto:divulgação

 

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