Cultura

O vazio

*Édson Ceretta

Uma forma frívola, acentuada
Da embriaguez desse Cosmos
É a espécie humana estagnada,
Reduzindo-se a parcos átomos.

Vida que se sujeita, cada dia,
Mesmo sob um raiar áureo.
Sintetiza natureza de agonia,
Ser sem ideias e alma, etéreo.

Face exaurida, noite escura,
Luar, nuvem, uma paisagem.
Completamente em negrura.
Um contraste ou é miragem?

Fazem de conta que obram
Alguma coisa desnecessária.
São muitos os que se dedicam
A uma manha vil e sedentária.

Seres que consomem pavios
Da entranha, natureza amarga.
Saciam desejos amiúde vazios.
É um mistério o lugar do nada.

Silêncio, uma torpe omissão
Do ambiente em que resistem.
Afundar na fossa, caminho vão.
Futilidades ainda se subsistem?

 

Édson Ceretta – Servidor público federal, romancista, poeta, contista, editor e revisor literário. Autor de três obras, e participação em mais de 50 antologias. Ocupa a cadeira nº 12 da Academia Rondonopolitana de Letras – ARL.

Foto do autor: Cesar Augusto

Foto de capa: Cesar Augusto

 

One thought on “O vazio

  • Aires José Pereira

    Parabéns aos confrades Hermélio e Edson Cereta por mais essa grande jornada em prol de nossa cultura literária.

    Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *