Opinião

O pai ordena e o filho obedece: Flávio seguirá candidato até o fim

É melhor perder do que bater em retirada

Por Ricardo Noblat

Se depender de Jair Bolsonaro — condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado —, o filho escolhido para disputar a Presidência da República irá até o fim. Não importará se ele for abandonado por parte dos atuais aliados, se perder pontos nas pesquisas de intenção de voto ou sequer se acabar derrotado por Lula em outubro. É exatamente isso que Flávio diz ter ouvido do pai na semana passada e o que pretende fazer, como um filho obediente.

Descarta-se, pois, a hipótese de o senador ser substituído por Michelle, a madrasta com quem ele e seus irmãos nunca tiveram boa relação. A ela parece reservado o papel de “ministra do lar”, como o ex-presidente defende que toda mulher deveria ser. Se for o caso, Bolsonaro poderá até admitir, mais adiante, que a esposa se candidate ao Senado pelo Distrito Federal, embora nem isso seja garantido. Ele demonstra resistência em ver a mulher, sempre formosa, ser cortejada em um ambiente predominantemente masculino como o do Congresso Nacional — local onde, aliás, a conheceu quando exercia o cargo de deputado federal, encantando-se pela jovem de origem humilde. Na época, ele vinha de dois casamentos fracassados e carregava más lembranças de uma traição que desejava sepultar.

Na visão de Bolsonaro, Flávio ainda é muito jovem. Se falhar nesta eleição, poderá concorrer novamente em 2030. O próprio Lula perdeu três vezes seguidas (1989, 1994 e 1998) antes de se eleger pela primeira vez, em 2002. Anos depois, em 2006, em meio ao escândalo do Mensalão, a oposição chegou a dar o petista como derrotado de véspera. Optou-se por não abrir um processo de impeachment para evitar que ele se vitimizasse; a estratégia era deixá-lo sangrar politicamente até o fim do mandato para que voltasse para casa abatido. Aconteceu o inverso: Lula recuperou-se, reelegeu-se e, posteriormente, conseguiu eleger e reeleger Dilma Rousseff.

Agora, contudo, mesmo que obtenha o quarto mandato, Lula não poderá mais se candidatar a presidente. “Não se renuncia ao poder”, ensinou Bolsonaro aos filhos, reforçando a máxima de que uma família que marcha unida deve permanecer unida, superando quaisquer divergências pontuais.

Inelegível e com a saúde fragilizada, Bolsonaro sabe que seus dias de vida podem estar contados, mas espera que o bolsonarismo sobreviva a ele.

Ricardo Noblat é jronalista

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