Cultura

A guerra que acordei vivendo

*Leônidas Neto

Na noite que parecia comum,

o silêncio respirava tranquilo,

até que o céu, de repente,

rasgou-se em presságios.

 

Não eram estrelas,

eram máquinas de medo,

aviões descendo como gritos

em direção ao nosso destino.

 

“Corre!” — minha voz não era só voz,

era desespero em carne viva.

Era o amor gritando pelos filhos,

era o instinto tentando vencer o fim.

 

A terra tremeu sob nossos passos,

o ar se partiu em explosões,

e o mundo virou um labirinto de árvores,

sombras e orações.

 

Nos escondemos como quem implora

um pedaço de tempo,

um respiro entre a vida e o nada,

um milagre em forma de abrigo.

 

Mas o medo tem olhos,

tem passos,

tem fôlego e nos encontrou.

 

“Ali!” — gritaram vozes duras,

como sentenças sem apelação.

E o som das balas atravessou não só o corpo,

mas a esperança.

 

Senti o impacto,

não só na carne,

mas na alma que tremia

entre ficar e partir.

 

E então acordei.

 

Com o coração ainda correndo,

a boca seca de quem sobreviveu,

e a certeza estranha

de que o sonho não era só sonho

era o medo mais profundo

vestido de noite.

 

E, entre o alívio de estar vivo

e o silêncio do quarto,

sussurrei ainda trêmulo:

Meu Deus… que guerra foi essa

que aconteceu dentro de mim?

*Leônidas Neto – Professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica.

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