Opinião

“Ele me agrediu, não agrediu o Estado. Quem deu a vocês o direito de perdoá-lo sem me consultar?”

A frase que abalou o tribunal não nasceu apenas da raiva de um momento. Ela carregava anos de dor, medo e a sensação de ter sido abandonada pela própria justiça.

Segundo o relato que viralizou nas redes sociais, uma mulher na Turquia sobreviveu a uma agressão brutal e viu o homem responsável ser condenado a 20 anos de prisão.

Para ela, aquela sentença representava mais do que punição. Era a esperança de reconstruir a própria vida sem o medo constante de reencontrar quem havia destruído sua paz.

Mas essa segurança desapareceu quando ele foi solto após cumprir apenas uma pequena parte da pena, por causa de uma medida de anistia ou redução concedida pelo Estado.

O que para o sistema era uma decisão legal, para a vítima foi sentido como uma nova violência. Sem ser consultada, sem ser ouvida e sem sentir que sua dor havia sido considerada, ela viu o agressor voltar às ruas.

Tomada pelo desespero e pela sensação de abandono, a mulher acabou cometendo um crime: matou o homem em plena via pública.

Durante o julgamento, ao ser questionada pelo juiz sobre o motivo de ter feito aquilo, ela teria dado uma resposta que atravessou fronteiras e viralizou:

“Ele me agrediu, não agrediu o Estado. Quem deu a vocês o direito de perdoá-lo sem me consultar?”

A frase não transforma violência em justiça e não apaga o crime cometido. Mas expõe uma ferida profunda: o lugar da vítima dentro do sistema judicial.

A pergunta que fica é dura, mas necessária: até que ponto o Estado pode reduzir penas, conceder perdão ou devolver um agressor às ruas sem ouvir quem sofreu diretamente as consequências daquele crime?

Quando a vítima sente que o sistema protege mais o agressor do que quem foi ferido, a confiança na justiça começa a desmoronar.

E quando essa confiança desaparece, a sociedade precisa encarar uma questão difícil: de que serve uma justiça que decide sem ouvir, liberta sem reparar e exige calma de quem ainda carrega as marcas da violência?

 

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