Agro Negócios

Chuvas atrasam colheita de café e preocupam produtores

Excesso de chuva reduz o ritmo da colheita e pode comprometer a qualidade do café brasileiro

A colheita de café segue em ritmo mais lento nas principais regiões produtoras do Brasil. O motivo são as chuvas registradas no fim de junho. Em Minas Gerais, estado responsável por cerca de metade da produção nacional, apenas 30% da safra foi colhida. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a média histórica para este período é de 40%.

Além do atraso, o excesso de umidade preocupa produtores. Isso porque as condições climáticas podem reduzir a qualidade dos grãos e afetar a próxima safra.

Chuvas dificultam a colheita

As precipitações atingiram principalmente o Cerrado Mineiro e o Sul de Minas. Como resultado, o avanço das máquinas ficou mais lento. Além disso, aumentou a queda de frutos no chão.

Segundo a Emater-MG, novas chuvas podem ocorrer nos próximos dias devido aos efeitos do El Niño. Caso isso aconteça, os cafezais podem florescer antes do período ideal. Durante a colheita, essas flores acabam sendo derrubadas. Dessa forma, o potencial produtivo da próxima safra pode diminuir.

Apesar desse cenário, a expectativa ainda é positiva. A Emater-MG projeta uma produção de 31,8 milhões de sacas em Minas Gerais. O volume continua superior às 25,7 milhões de sacas registradas na temporada passada.

Beneficiamento também avança lentamente

O coordenador técnico da Emater-MG, Sérgio Regina, afirma que ainda é cedo para medir as perdas de qualidade. Segundo ele, apenas uma pequena parte do café beneficiado chegou ao mercado.

Depois das chuvas, muitos produtores interromperam a colheita temporariamente. O objetivo foi recolher os grãos que caíram no solo e iniciar a secagem. No entanto, esse processo é mais caro e exige mais tempo. Por isso, toda a operação acaba sendo atrasada.

Colheita nacional segue abaixo do ano passado

De acordo com a Safras & Mercado, a colheita brasileira alcançou 52% da safra 2026/27 até 1º de julho. No mesmo período de 2025, o índice já era de 60%.

Embora o ritmo tenha acelerado na última semana, a oferta do café ainda permanece limitada. Isso acontece porque grande parte da produção continua em fase de secagem e beneficiamento.

Cooperativas também registram atraso

Cooxupé informou que a colheita atingiu 24,9% da área dos cooperados até o fim de junho. No mesmo período do ano passado, o índice era de 31,4%.

Já a Expocacer informou que os trabalhos chegaram a 32% da produção estimada até o início de julho. Ainda assim, o desempenho permanece abaixo do registrado em 2025.

Assim, os números mostram que o atraso ocorre nas principais regiões produtoras do país.

Produtores relatam perdas e queda na qualidade

No Sul de Minas e no Cerrado Mineiro, agricultores relatam aumento da queda de grãos. Além disso, enfrentam dificuldades para operar máquinas devido ao excesso de umidade.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a qualidade do café. Muitos produtores afirmam que houve aumento de grãos fermentados. Como consequência, cresce a presença de cafés classificados como riado e rio, categorias que possuem menor valor comercial.

Em algumas propriedades, parte dos grãos permaneceu no solo por mais tempo. Por isso, houve casos de mofo e deterioração. Nesses casos, o café torna-se impróprio para consumo.

Indústria acompanha cenário com preocupação

Para representantes da indústria cafeeira, o maior problema não é apenas o atraso da colheita. A principal preocupação é a qualidade dos primeiros lotes produzidos.

Segundo o Sindicato da Indústria de Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG), já existem registros de cafés com fermentação logo no início da safra. Esse cenário acende um alerta para produtores, cooperativas e exportadores.

Se o clima úmido continuar nas próximas semanas, os impactos poderão ser maiores. Nesse caso, a rentabilidade tende a diminuir. Além disso, a oferta de cafés de maior qualidade destinados à exportação também poderá ser reduzida.

Agro em Campo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *