Polícia

Professor da UFMT é indiciado por assédio e constrangimento ilegal contra alunas

Ele foi indiciado pelos crimes de assédio sexual e constrangimento ilegal, após as estudantes o denunciarem, em novembro de 2025

O professor e maestro Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu, da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), foi indiciado pelos crimes de assédio sexual e constrangimento ilegal, após três alunas o denunciarem, em novembro de 2025. As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá (DEDM), reuniram depoimentos de familiares, colegas e pessoas próximas ao ambiente universitário.

O caso veio à tona no fim do ano passado, quando as três estudantes, de 21, 23 e 39 anos, procuraram a delegacia e relataram uma sequência de condutas invasivas por parte do docente. À época, a UFMT determinou o afastamento do professor e abriu procedimentos internos de apuração.

Primeiro, a Polícia Civil investigou o assédio contra uma estudante de música, de 21 anos, que participava de um projeto de extensão coordenado pelo maestro. Segundo os autos, protocolados em 28 de janeiro, o professor apresentava comportamento possessivo em relação à jovem, com quem não mantinha qualquer relação além da acadêmica. Testemunhas ouvidas pela polícia confirmaram o abalo emocional da vítima e relataram abordagens diferenciadas e invasivas por parte do investigado. O professor negou as acusações, mas foi indiciado.

Depois, o caso com as outras duas musicistas, de 23 e 39 anos, foi investigado. Dias após a primeira denúncia, elas foram chamadas pelo professor para uma reunião antes de um ensaio no Departamento de Artes. Durante a conversa, ele pediu que as duas intercedessem junto à aluna de 21 anos para convencê-la a voltar ao projeto. Entretanto, em determinado momento, ele se posicionou diante da porta e as impediu de sair por cerca de três minutos.

As vítimas conseguiram deixar a sala e se esconderam em outro espaço da universidade, onde foram encontradas nervosas e emocionalmente abaladas. O maestro negou a restrição e afirmou que o encontro tratou apenas de questões do projeto musical. Ele foi indiciado por constrangimento ilegal e os autos foram protocolados em 22 de junho.

Os casos já foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público e os indiciamentos serão analisados.

Procurada em novembro de 2025, a UFMT afirmou em nota que repudia qualquer ato de assédio e que, ao tomar conhecimento das denúncias, afastou o docente e adotou medidas de proteção e acompanhamento das vítimas, incluindo suporte psicossocial e reorganização das atividades acadêmicas para evitar contato entre as partes durante a apuração. À época, a universidade disse ainda que, comprovadas as irregularidades, aplicaria as sanções administrativas cabíveis.

Leiagora

Foto: divulgação

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