Opinião

Quando a fé vira espetáculo: o megatemplo e a transformação do Evangelho em experiência de consumo

Assembleia de Deus Fonte de Vida, inaugurou um mega templo no dia 23 de agosto de 2026, em Vitória, no Espírito Santo. “Provai e vede que o Senhor é bom”, diz o Salmo 34:8. A frase, usada pelo pastor Delano para explicar o conceito de “Gestão de Experiência”, parece bonita, acolhedora e carregada de significado religioso.

Ao chegar no megacampus, os fiéis se deparam com estacionamento exclusivo, lago artificial que é usado para cerimônias de batismo, com direito até a chafariz. O espaço ao ar livre, segundo o pastor presidente Delano Maia dos Santos, foi criado também para contemplação. Mas é justamente aí que surge uma questão que merece reflexão, onde está na biblia que Jesus precisou desses artificios para atrair multidões para ouvir a pregação do verdadeiro EVANGELHO

No templo principal, há um megatelão de LED, iluminação, tudo preparado para um mega espetáculo, com cadeiras dispostas em formato de anfiteatro. Já o templo secundário pode ser adaptado de acordo com as necessidades da programação. De fato mais parece um estúdio cinematográfico, pronto para gravar uma super produção.

Os cultos realizados no templo principal são transmitidos em tempo real e com imagem 4K no canal da igreja no YouTube. Para isso, são usadas nove câmeras e, em breve, uma “spidercam”, sistema suspenso por cabos motorizados, serão instalados, Este sistema é tradicionalmente usado em grandes estádios de futebol.

A fé, por sua própria natureza, não deveria ser apresentada como um espetáculo. Quando se afirma que “tudo é pensado para que as pessoas conheçam Jesus”, abre-se espaço para perguntar: que Jesus é este? É o Jesus bíblico ou o Jesus dos fariseus?

Jesus nunca precisou de estratégias de marketing, cenários elaborados ou técnicas de gestão para transformar vidas. Sua mensagem era direta: amar, perdoar, acolher, servir e cuidar dos mais necessitados. Ele caminhava entre as pessoas, especialmente entre aquelas que a sociedade desprezava.

O problema não está em organizar bem uma igreja, melhorar o atendimento ou buscar acolher melhor quem chega. Isso é positivo. A crítica começa quando a experiência religiosa passa a ser administrada como se fosse uma experiência de consumo, tudo no mega templo da Assembleia de Deus Fonte de Vida, está voltada para o consumo dos fiéis ou visitantes. Para tanto foi montado uma estrutura de shopping dentro do templo.

O Jesus Biblico sempre combateu a injustiça, pregava o perdão, o respeito ao próximo e servir sem esperar aplausos. E o Jesus dos fariseus? deve ser este que prega o consumo desnfreado, fazendo dos templos um mero centro comercial.

“O lema da Gestão de Experiência é provai e vede que o Senhor é bom, do Salmo 34:8. A pessoa teve uma experiência com Jesus, provou Jesus, que é bom, que ama, perdoa. Então tudo é pensado para que as pessoas conheçam Jesus”, explicou o pastor Delano. Resta saber, qual Jesus? O Jesus dos fariseus ou o Jesus biblico?

Ter uma experiência com Jesus é viver como Jesus viveu e nos ensinou, amar o proximo como a ti mesmo. Talvez esse seja o maior desafio para os mercadores da fé: compreender que o Evangelho não precisa ser vendido quando é verdadeiramente vivido. Esta é a verdadeira “Gestão de Experiência” com Cristo.

Por José Carlos Garcia

Imagem: internet

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