Opinião

Rondonópolis precisa parar de eleger quem não defende seus próprios interesses

Nas eleições de 2026, Rondonópolis conta com quase 180 mil eleitores aptos a votar. É um número expressivo e suficiente para que a cidade tenha força eleitoral para eleger entre cinco e seis deputados estaduais, tomando como base o coeficiente eleitoral. Também existe potencial para eleger dois representantes na Câmara Federal.

Mas, infelizmente, essa força política ainda não é levada a sério — e parte da responsabilidade está nas mãos de alguns vereadores que, de olho nas eleições municipais de 2028, preferem trabalhar politicamente para candidatos a deputado federal e estadual de outras regiões.

É preciso dizer isso sem rodeios: vereador que busca votos em Rondonópolis para eleger deputado de outra cidade está colocando seus interesses políticos pessoais acima dos interesses da população que o elegeu.

Depois de eleitos, esses deputados terão compromissos com suas próprias bases eleitorais. E quem garante que Rondonópolis será prioridade? Na maioria das vezes, o compromisso acaba sendo com o vereador que pediu votos, e não necessariamente com os quase 180 mil eleitores da cidade. Enquanto isso, a população fica esperando obras, investimentos, recursos e melhorias.

Ou seja: o eleitor vota, o vereador faz campanha, o deputado se elege e Rondonópolis fica em segundo plano. E depois ainda querem aparecer aqui pedindo novamente o voto da população.

Como dizia o inesquecível personagem de Chico Anysio, “Justo Veríssimo”: “Que se exploda o povo!” É exatamente essa sensação que fica quando os interesses políticos pessoais falam mais alto que os interesses da cidade.

Hoje, Rondonópolis conta com três representantes na Assembleia Legislativa e dois na Câmara Federal. Imagine o que seria possível conquistar se a população tivesse plena consciência de sua força eleitoral e concentrasse seus votos em candidatos comprometidos verdadeiramente com a cidade.

O problema não está em um candidato ser de outra cidade. O eleitor é livre para votar em quem quiser. O problema está quando lideranças políticas locais, especialmente vereadores eleitos para representar Rondonópolis, usam sua estrutura e sua influência para beneficiar candidatos de fora, enquanto deixam de fortalecer nomes que poderão ser cobrados diariamente pela população daqui.

A diferença é simples: o candidato de Rondonópolis mora aqui, tem endereço aqui, circula pelas nossas ruas e precisa prestar contas à nossa população. Se prometer recursos, obras ou investimentos e não cumprir, o eleitor sabe onde encontrá-lo e pode cobrar.

Já aquele que vem de outra região, pega os votos daqui, segue para a Assembleia ou para Brasília e desaparece depois da eleição pode simplesmente deixar Rondonópolis esperando.

Por isso, é preciso prestar atenção e guardar os nomes dos vereadores que estão apoiando candidatos de fora. Não para impedir ninguém de votar em quem quiser, mas para que o eleitor tenha memória e faça uma avaliação política na hora certa.

Em 2028, quando esses vereadores voltarem às ruas pedindo novamente o voto para continuar na Câmara Municipal, a população precisa perguntar: o que você fez por Rondonópolis? Quem você apoiou em 2026? Qual deputado você ajudou a eleger? E, principalmente, o que esse deputado trouxe de concreto para nossa cidade?

A mesma cobrança deve ser feita aos próprios deputados. Não basta aparecer em época de eleição, tirar fotografia, fazer promessa e depois desaparecer. Deputado que recebeu votos de Rondonópolis precisa mostrar resultados para Rondonópolis.

Chegou o momento de o eleitor deixar de votar apenas por amizade, indicação, promessa ou interesse político. É preciso olhar para quem realmente representa os interesses da cidade.

Porque uma cidade com quase 180 mil eleitores tem força para decidir seu próprio destino.

Em 2028, será hora de separar o joio do trigo. E a melhor forma de fazer essa separação é lembrar quem esteve ao lado de Rondonópolis — e quem usou Rondonópolis apenas como trampolim para seus próprios interesses políticos.

 

Da redação

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