Cultura

O jogo que todos veem e a aula que quase ninguém nota

*Professor Leônidas Neto

O estádio lota, vibra, explode,

e até o silêncio aprende a gritar.

Um passe vira história viva

que o mundo inteiro quer comentar.

 

A camisa ganha nome eterno,

a jogada vira memória geral.

E o futebol, com sua magia,

transforma o comum em especial.

 

Mas na sala, a luz é outra,

mais simples, quase sem aplauso.

Não há replay, nem câmera lenta,

nem manchete no intervalo.

 

Ali também se joga o futuro,

mas sem torcida a vibrar.

Cada aluno é uma chance aberta

que insiste em se transformar.

 

O professor não levanta taça,

não ergue troféu no final.

Mas ergue ideias, levanta vidas,

no gesto mais essencial.

 

médico, juiz, jogador,

engenheiro, artista, nação.

Mas raramente recebe

o mesmo peso da admiração.

 

Até quando essa conta silenciosa

vai fingir que isso é normal?

Valorizar só quem aparece

e esquecer quem constrói o geral?

 

Porque o futebol emociona,

e isso ninguém vai negar.

Mas quem ensinou a ler esse mundo

também merece seu lugar.

 

Será que um dia a sala de aula

terá o mesmo brilho de um gol?

Ou o saber seguirá discreto,

sem holofote, sem arrebol?

 

O professor segue firme, ensina,

mesmo quando o aplauso não vem.

Porque sabe que o tempo devolve

o que a memória contém.

 

E fica essa pergunta no ar,

sem pressa de se encerrar:

até quando quem forma tudo

vai ficar sem se enxergar?

 

Eu sigo esperando esse dia,

sem perder a esperança no olhar.

O dia em que ensinar será

visto como quem também sabe brilhar.]

 

*Professor Leônidas Neto – Professor e morador de Rondonópolis, graduado em Direito e Pedagogia, com pós-graduação em Direito Público, Ensino da Matemática e Mídia, Tecnologia e Comunicação na Educação Básica.

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