Opinião

Pesquisas eleitorais: a quem interessa o resultado?

 

O quanto as pesquisas eleitorais podem ser direcionadas para favorecer o candidato A ou B ficou explícito nas eleições de 2026. Às vésperas do segundo turno, diversos institutos apontavam a vitória de Flávio Bolsonaro. A Gerp Mercadologia, por exemplo, indicava 53% das intenções de voto para Flávio, contra 47% para Lula. Um cenário bem diferente do resultado oficial. Outros institutos, como o Datafolha, também apontavam vantagem para Flávio Bolsonaro, com 52% contra 48% de Lula.

Enquanto isso, o Vox Populi, um dos institutos de pesquisa mais antigos do país — ficando atrás apenas do Ibope, fundado em 1942 —, apresentava um cenário diferente. Com décadas de experiência, o instituto foi fundado em 1984 por João Francisco Meira e construiu uma trajetória de atuação no mercado de pesquisas eleitorais.

Na sexta-feira (23), o Vox Populi apontava Lula com 50,6% das intenções de voto, contra 49,4% de Flávio Bolsonaro. No domingo (5), o resultado oficial confirmou a vitória de Lula, que recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 48,21%.

Diante das divergências entre os levantamentos divulgados pelos institutos de pesquisa, especialmente aqueles contratados pela imprensa tradicional, o Vox Populi apresentou números mais próximos do resultado das urnas, indicando a vitória de Lula.

A situação levanta um questionamento importante: até que ponto as pesquisas eleitorais refletem a vontade do eleitor e até que ponto podem influenciar a opinião pública? É o que muitos críticos classificam como uma possível “campanha do medo”, na qual diferentes metodologias e projeções acabam apresentando vantagens para determinados candidatos, podendo interferir na percepção do eleitorado.

José Carlos Garcia

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