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GAC desenvolve bateria sólida para autonomia de 1.000 km

Tecnologia de estado sólido já está em produção-piloto na China e poderá estrear em veículos da marca Hyper ainda em 2026.

A GAC avançou no desenvolvimento de uma bateria de estado sólido que poderá permitir a fabricação de carros elétricos com mais de 1.000 quilômetros de autonomia. A fabricante chinesa anunciou que a tecnologia alcançou densidade energética superior a 400 Wh/kg e entrou em fase de produção-piloto, depois de mais de uma década de pesquisas.

Segundo comunicado oficial divulgado pela empresa em 28 de outubro, a previsão é iniciar a aplicação das novas baterias em veículos da Hyper, sua marca premium, ainda em 2026. O projeto, entretanto, não representa o lançamento imediato de um automóvel com essa autonomia.

O avanço ocorre em um momento de expansão da fabricante no Brasil, onde a GAC já comercializa veículos eletrificados. Por enquanto, não há previsão de utilização dessas baterias nos modelos destinados ao mercado brasileiro.

O que muda com a bateria de estado sólido?

A principal diferença está na composição interna. Nas baterias convencionais de íons de lítio, um eletrólito geralmente líquido ou em gel permite a movimentação dos íons entre os eletrodos durante o carregamento e a descarga.

Nas baterias de estado sólido, essa função é desempenhada por um material sólido. A mudança permite explorar outras composições químicas, incluindo o uso de ânodos de lítio metálico, que apresentam potencial para armazenar mais energia.

A GAC afirma ter alcançado densidade energética superior a 400 watts-hora por quilograma (Wh/kg). Esse indicador mede a quantidade de energia armazenada em relação à massa da bateria.

Na prática, uma densidade maior pode permitir armazenar mais eletricidade sem aumentar proporcionalmente o peso das células. Isso abre a possibilidade de desenvolver veículos com maior autonomia ou baterias mais compactas.

O número anunciado, porém, refere-se ao desenvolvimento das células e não deve ser confundido com a densidade energética de um pacote completo. A bateria instalada no carro também inclui estrutura, conexões, sistemas de proteção e gerenciamento térmico, componentes que acrescentam peso ao conjunto.

A substituição do eletrólito líquido também pode reduzir determinados riscos associados à inflamabilidade. Ainda assim, baterias sólidas não são imunes a superaquecimento, degradação ou falhas internas.

Autonomia de 1.000 km ainda precisa ser comprovada

Embora os resultados anunciados sejam relevantes, a GAC ainda não confirmou a autonomia de 1.000 km em um veículo de produção.

A fabricante também não divulgou a capacidade total da bateria que permitiria alcançar essa distância, nem informou qual modelo será utilizado nos primeiros testes comerciais.

Esses dados são importantes porque a autonomia depende não apenas da bateria, mas também do peso do automóvel, eficiência dos motores, aerodinâmica, velocidade e condições de utilização.

Outro ponto é o método de homologação. Testes como CLTC, WLTP e Inmetro utilizam procedimentos distintos e podem apresentar resultados diferentes para um mesmo veículo.

Portanto, a autonomia superior a 1.000 km deve ser interpretada como uma possibilidade tecnológica anunciada pela fabricante, não como um resultado que o consumidor já poderá encontrar nas concessionárias.

GAC também quer reduzir o custo de fabricação

Além da densidade energética, a GAC trabalha para tornar a fabricação das baterias de estado sólido economicamente viável.

A empresa desenvolveu processos que combinam produção de eletrodos secos, aplicação de camadas finas de eletrólito e tratamento das interfaces entre os materiais.

Essa última etapa procura melhorar o contato entre os componentes internos da célula, uma das dificuldades encontradas no desenvolvimento de baterias sólidas.

Segundo estimativas da fabricante, a aplicação dessas tecnologias em escala industrial poderá reduzir em 15% o investimento em equipamentos, diminuir em 40% a área necessária para as instalações e cortar mais de 35% dos custos de produção.

Essas projeções ainda dependem da fabricação em grande escala. Também não significam que um carro equipado com as novas baterias custará automaticamente 35% menos.

O preço final continuará sujeito ao custo das matérias-primas, à capacidade de produção, à logística e aos demais componentes do veículo.

Primeiros carros poderão chegar ainda em 2026

A GAC pesquisa baterias totalmente de estado sólido desde 2014. A passagem para a produção-piloto representa uma etapa intermediária entre os testes laboratoriais e a fabricação comercial.

Nessa fase, a empresa pode avaliar a repetibilidade dos processos, a qualidade das células e a possibilidade de produzir volumes maiores mantendo as características desejadas.

A previsão oficial é que os primeiros veículos da Hyper recebam a tecnologia ainda em 2026, embora a fabricante não tenha informado qual modelo será utilizado nem quando começará uma eventual comercialização em maior escala.

Para o Brasil, ainda não existe cronograma de lançamento de veículos com essa bateria.

O desenvolvimento poderá ampliar as possibilidades dos carros elétricos nos próximos anos, principalmente se a GAC conseguir combinar maior densidade energética, durabilidade e custos de fabricação competitivos.

iG Carros

Foto: divulgação/ Fernando Naccari

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