Polícia

Ex-diretores da Unimed usam personagem de clássico literário para arquitetar vingança digital

Investigações revelam uso do pseudônimo “Edmond Dantès” em campanha difamatória financiada por grupo ligado à antiga gestão.

Ex-diretores da Unimed usam personagem de clássico literário para arquitetar vingança digital

As investigações da Polícia Civil revelaram que a campanha difamatória contra a atual diretoria da Unimed Cuiabá teve como pano de fundo uma verdadeira estratégia de vingança, planejada e executada por pessoas ligadas à antiga gestão da cooperativa.

O conteúdo das mensagens, disparadas em massa para médicos cooperados, era assinado com o pseudônimo “Edmond Dantès” — personagem do clássico O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, conhecido por arquitetar uma longa vingança contra os responsáveis por sua prisão injusta.

Segundo a Polícia Civil, os autores se valeram do simbolismo da obra para justificar os ataques. A motivação, de acordo com os investigadores, seria a retaliação pelo fato de a nova diretoria ter denunciado publicamente um rombo de R$ 400 milhões nas contas da cooperativa, referente ao exercício de 2022, durante a gestão anterior.

As mensagens com conteúdo calunioso foram disparadas por meio de plataformas de envio em massa, como Infobip, MaxxMobi, Ótima Technology e MEX10 Digital. O rastreamento do pagamento pelos serviços de disparo levou a uma empresa financiadora diretamente vinculada aos investigados.

Embora as empresas responsáveis pelos envios estejam sediadas fora de Mato Grosso, todas têm conexões com pessoas ligadas à antiga diretoria da Unimed. O site onde os conteúdos eram hospedados foi criado fora do Brasil, o que, segundo a Polícia Civil, teve como objetivo dificultar a identificação dos autores e a responsabilização judicial.

A operação contou com apoio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC) de Goiás e da Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado da Polícia Civil, que atuou na interlocução com o Poder Judiciário e o Ministério Público para viabilizar a coleta de provas.

A escolha do nome Edmond Dantès não foi por acaso. O personagem de Dumas, movido por desejo de vingança após ser traído, foi resgatado como símbolo de uma retaliação planejada — neste caso, contra a nova diretoria que expôs as irregularidades deixadas pela gestão anterior.

Leiagora
Foto: PJC-MT

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