Opinião

Cabo de guerra democrático: Brasil X EUA

Lula, mande os amadores se afastarem e assuma a direção do Cabo de Guerra. O Brasil não aguenta um arroxo dos americanos

Antes de qualquer argumento, gostaria de deixar bem claro, que essa e outras guerras nunca foram por Bolsonaros, STF, Ministros ou sucos e tira-gostos de carne ou de frango. Essa guerra é por clientes, tarifas e dinheiro…muito dinheiro! Nós, brasileiros, somos 300 milhões de consumidores saindo do supermercado americano e indo para as filas de outros. Quem é que quer perder 300 milhões de compradores sem usar das suas forças? O Trump? O Milei? O mais bobo daí, faz relógio, debaixo d’água, com luvas de boxe.

São Paulo acordará numa segunda-feira com cara de greve geral. Não é greve de sindicato, não. É greve da economia. A indústria automobilística, que depende até do parafuso da maçaneta vindo de Michigan, trava. Nas montadoras do ABC, o chão de fábrica vira chão de bocha. Mais de 350 mil empregos diretos e indiretos começam a evaporar como óleo em motor superaquecido. O WhatsApp dos operários só toca pra avisar: “Segura aí, Cumpañero! Férias coletivas! Indeterminadas!”

De um lado do ringue, ou do cabo, um enorme Estados Unidos da América: criadores do hambúrguer, do iPhone, da Marvel, dos aviões invisíveis e das guerras preventivas. Do outro, o Brasil: terra do samba, da feijoada, do jeitinho e da urna eletrônica (que funciona, sim, obrigado). Ambos se dizem defensores da democracia plena. Mas ultimamente, essa plenitude anda mais para uma garrafa meio bebida.

Os americanos lançaram mão da sua famosa Lei Magnitsky, criada para punir gente do mal mundo afora. E adivinha? Miraram logo um ministro brasileiro do Supremo, Alexandre de Moraes. Sim, o Xerife da República, o careca mais temido depois do Vin Diesel. Já o Brasil, sem querer deixar barato, bloqueou os bens do Bolsonarinho.

E agora? Quem vai ganhar essa disputa democrática de braço de ferro? Qual será o povo que vai terminar com o braço dolorido, sem vacina e com o WhatsApp bloqueado?

Nos EUA, democracia é sagrada. A ponto de, se você quiser invadir o Capitólio com chapéu de búfalo e cartaz de “parem de contar!”, tudo bem — mas só se você for branco e tiver passaporte de Iowa. Lá, o voto é em papel, demora dias pra contar, como um dia, nós já fizemos. Quando éramos atrasados. Eles, os atrasados americanos, ainda têm que pedir licença pra votar, quase como pedir bênção da vovó.

Mas há um detalhe importante: se a democracia não estiver indo bem, eles exportam. Invadem uns países, criam uns governos “provisórios” e mandam McDonald’s e Milk Shake como ajuda humanitária.

Já no Brasil, a democracia se veste de verde e amarelo, sobe em caminhão de som e grita contra ela mesma. Aqui, o povo vota com urna digital, auditada, certificada, e mesmo assim tem quem ache que o botão “confirma” é controlado por satélite chinês, vendido na 25 de março.

Mas não dá pra negar que a democracia por aqui é animada. O brasileiro vai pra Copacabana, dança, protesta, canta hino com Vuvuzela, a corneta de torcida. E quando a coisa aperta, a gente chama uma CPI, que é como reality show com depoimentos e pizza para todos no final. A festa democrática de ontem, domingo, 3 de agosto, não foi de brincadeira, apesar de parecer.

E se nós, o Brasil vencer?

Aí vem a pergunta que não quer calar: e se o Brasil ganhar esse cabo de guerra democrático? Vamos dominar a Flórida? Transformar o Texas em Tocantins? Botar o trio elétrico de Dodô e Osmar na Times Square?

Não sei não! Talvez sim. O Havaí viraria ponto de micareta fora de época. A Califórnia, com seus incêndios, já seria candidata natural a virar sede do Ibama. Nova York? Rebatizada de “Nova Iorque do Norte” e tomada pelos camelôs do Saara carioca. O time do surf, nas próximas olimpíadas, sairia muito fortalecido.

E a Casa Branca? Pintaríamos de verde e amarelo, botaríamos uma churrasqueira no jardim e a renomearíamos de “Casa do Barbecue Presidencial”.

Mas… e se o Lourão ganhar?

Agora, se os americanos ganharem… Bem, aí é provável que privatizem o Brasil. Transformem a Amazônia num parque temático (“Amazonland Adventure”), o Tarzan e o Boy voltariam, vendam o Cristo Redentor como NFT, e o samba vire uma franquia tipo Starbucks, com “Samba to Go” em cada esquina.

Vão regular nosso churrasco com código de barras e acabar com o pão de alho por excesso de açúcar.

Enquanto os dois governos puxam a corda democrática, cada um pro seu lado, quem vai ficando com a marca no costado é o povo. O americano, com seus tiroteios em escola e polarização de café coado. O brasileiro, com seus boletos, pix do aluguel e memes para resistir.

E vamos combinar: se for pra entrar em guerra democrática, que seja com samba, caipirinha e final feliz. Porque democracia mesmo se faz com voto, respeito e, claro, um pouco de bom humor.

Presidente Lula, o senhor é um pacifista! Conhece povo mais que todos os envolvidos. Mande os amadores se afastarem e assuma a direção do nosso lado, no Cabo de Guerra. O Brasil não aguenta um arroxo dos americanos.

 

Roberto Caminha Filho, economista, está vendo a Lei de Murphy tomar conta das conversações, no lugar do Itamaraty.

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