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Afonso Aragão é alvo de denúncia no Ministério Público do Trabalho; registro trabalhista no transporte é suspeito de fraude

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Terrestres de Rondonópolis e Região (STTRR), Afonso Aragão, é alvo de uma denúncia protocolada no Ministério Público do Trabalho (MPT). Um empresário do setor de transporte, que concordou em conceder entrevista sob anonimato, afirma que o dirigente sindical teria mantido um registro trabalhista fraudulento, sem comprovação documental e sem correspondência com as atividades reais da empresa.

De acordo com o denunciante, ele assumiu as cotas da empresa em 11 de dezembro de 2023, por meio de cessão formal. Ao revisar o histórico operacional, constatou que havia apenas um trabalhador registrado, cuja admissão constava em 11 de maio de 2021.

A situação ganhou contornos mais graves em 29 de outubro de 2024, quando o escritório de contabilidade responsável — cuja gestão também atende ao STTRR — efetuou o desligamento do funcionário sem comunicar a empresa, registrando a demissão como “a pedido do trabalhador”.

Ao todo, o suposto vínculo somava 1.267 dias, equivalentes a cerca de 3 anos e 5 meses.

“No dia 15 de janeiro de 2025, para minha surpresa, descobri a baixa no e-Social. Solicitamos à contabilidade todos os documentos: admissão, demissão, holerites assinados e comprovantes de pagamento dos encargos previdenciários. Desde então estamos cobrando, mas nada foi entregue”, relatou o empresário.

Segundo o denunciante, após assumir a empresa, iniciou-se um processo de regularização das operações. Até então, afirma, havia apenas esse “funcionário”. Atualmente, a empresa atua regularmente no transporte rodoviário de cargas, com registros fiscais e financeiros correspondentes. Ele afirma que, ao revisar toda a documentação desde a constituição da empresa, não encontrou nenhuma movimentação compatível com o vínculo atribuído a Afonso Aragão, o que reforça a suspeita de que se trataria de um “funcionário fantasma”.

“Enviei tudo ao Ministério Público do Trabalho. Organizei a documentação de forma cronológica e mostrei que o registro de trabalho desse tal Afonso Aragão é fraudulento. Desde a criação da empresa até a sucessão das cotas, não houve atividades financeiras ou fiscais relacionadas, apenas o registro desse funcionário”, afirma.

O empresário também questiona a legitimidade da candidatura do sindicalista.

“Esse senhor jamais poderia concorrer à eleição do STTRR, porque não é trabalhador do transporte. Acredito que a Justiça vai barrar a candidatura, já que seus registros são fraudulentos.”

Além do MPT, a denúncia também foi encaminhada ao Conselho Regional de Contabilidade de Mato Grosso (CRC-MT). O objetivo é apurar a conduta do contador responsável pelas operações da empresa à época do suposto vínculo.

“Espero uma apuração rigorosa do CRC. É inadmissível enfrentar tanta resistência para obter documentos que devem estar sempre acessíveis ao empregador. Quero que o CRC investigue e responsabilize essa conduta. Isso não pode ficar impune”, reforçou.

A redação permanece à disposição para ouvir a versão de Afonso Aragão sobre o caso. A nota de resposta pode ser enviada para o e-mail informado pela equipe de reportagem.

Denilson Paredes

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