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Aprosoja alerta que tarifa de Trump pode encarecer alimentos, travar o agro e afetar toda a sociedade

Segundo a associação, os EUA são um parceiro estratégico do Brasil, principalmente no setor agropecuário, e o impacto de uma ruptura comercial vai além da exportação de produtos.

​Aprosoja alerta que tarifa de Trump pode encarecer alimentos, travar o agro e afetar toda a sociedade

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) se manifestou na quinta-feira (10) com preocupação diante do anúncio oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de tarifas adicionais de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto. Para a entidade, os efeitos da medida podem atingir toda a sociedade — do campo à mesa dos brasileiros — e agravar a já delicada crise enfrentada pelo setor agropecuário.

“A medida, se implementada, pode ter efeitos profundos no campo e na mesa dos brasileiros”, afirma a Aprosoja em nota.

Segundo a associação, os Estados Unidos são um parceiro estratégico do Brasil, principalmente no setor agropecuário, e o impacto de uma ruptura comercial vai além da exportação de produtos como carnes, etanol e café. “Exportamos carnes, café, suco de laranja, etanol de milho e aeronaves da Embraer, que dependem de peças americanas”, destaca o texto.

O aumento das exportações de carnes, por exemplo, influencia diretamente o consumo de soja e milho, já que o setor de proteína animal utiliza ração à base desses grãos em larga escala. Com barreiras comerciais mais rígidas, a produção tende a ser afetada em toda a cadeia.

Além disso, a Aprosoja ressalta a dependência brasileira na importação de combustíveis prontos dos EUA, como óleo diesel, gasolina e nafta, insumos essenciais para a produção agrícola e o transporte de alimentos. “Um encarecimento desses insumos elevará os custos de produção e poderá impactar os preços dos alimentos, agravando a inflação”, alerta a entidade.

Outro ponto crítico é o risco de interrupção no fornecimento de máquinas agrícolas de alta tecnologia e de componentes eletrônicos — como chips e sistemas embarcados — fundamentais para manter a inovação e competitividade no campo. Com o agro enfrentando uma de suas piores crises nas últimas duas décadas, qualquer encarecimento ou dificuldade de acesso pode gerar retração nos investimentos.

A Aprosoja também chama atenção para o risco de alta na taxa básica de juros (Selic), diante de uma inflação elevada, o que tornaria o crédito rural ainda mais caro — num momento em que o setor já lida com margens negativas e inadimplência crescente.

“Prejudicar o agronegócio é penalizar diretamente o interior do Brasil, que depende da força do campo para manter sua economia girando”, pontua a entidade, lembrando que o agro responde por cerca de 25% do PIB nacional e é o principal motor de geração de empregos no país.

A associação ainda reforça que Donald Trump sinalizou possíveis retaliações adicionais caso o Brasil opte por responder com tarifas, o que poderia intensificar a guerra comercial e gerar prejuízos ainda maiores.

“Conflitos que não são nossos não podem gerar prejuízo aos brasileiros. É hora de buscar, com urgência, o caminho do diálogo diplomático”, conclui a nota.

Leiagora
Foto: Aprosoja-MT

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