Opinião

EDITORIAL – O blá blá blá dos nosso legisladores não nos levam a lugar nenhum

Falar de segurança pública no Brasil tornou-se quase sinônimo de abordar tragédias diárias, e poucos exemplos são tão alarmantes quanto o crescimento constante dos casos de feminicídio. A cada ano, os números aumentam de forma assustadora, revelando não apenas a brutalidade presente em nossa sociedade, mas também a incapacidade do Estado de proteger mulheres que, muitas vezes, já haviam denunciado, pedido ajuda e alertado sobre o risco que corriam. É impossível ignorar que, por trás desse cenário, há uma profunda inércia por parte dos nossos parlamentares, que se mostram incansáveis em criar e aprovar leis que, na prática, pouco ou nada mudam. São normas frequentemente inócuas, feitas mais para alimentar discursos que para garantir resultados concretos — e o mais grave é que eles sabem disso.

Parlamentares eleitos para defender o povo e as leis deveriam, no mínimo, colocar seus interesses políticos em segundo plano e assumir uma postura verdadeiramente legalista, comprometida com a proteção da vida e dos direitos do cidadão. No entanto, não é isso que vemos. Muitos já rasgaram o compromisso com a Constituição; outros sequer se deram ao trabalho de conhecê-la com a profundidade necessária.

O mais impressionante é que, ao longo dos anos, o parlamento brasileiro tem se transformado em um verdadeiro circo — e não apenas no sentido figurado. Há aqueles que sobem à tribuna trajando perucas e fantasias, como se o espaço destinado ao debate sério fosse um palco de comédia. Há também quem, movido por ignorância ou pura desinformação, use o microfone para vociferar bravatas que alimentam conflitos, espalham medo e nada acrescentam ao país. Depois do estrago feito, retornam ao mesmo púlpito para oferecer desculpas frágeis, típicas de quem falta coragem para assumir responsabilidades. Enquanto isso, o povo segue à mercê da violência e do descaso.

José Carlos Garcia

Editoria

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