Polícia

Faccionados que mataram dupla a golpes de picareta foram condenados a mais de 90 anos de prisão

Os réus chegaram a obrigar as vítimas a ingerirem soda caústica para dificultar a identificação dos corpos.

Dois integrantes de uma organização criminosa foram condenados pelo Tribunal do Júri de Guarantã do Norte, município localizado a 731 km de Cuiabá, pelos homicídios qualificados de Marcionílio Riselo Neto e Haroldo Júnior Barboza de Souza, além do crime de ocultação de cadáver, juntos eles somam pena superior a 90 anos de prisão. As vítimas foram mortas com golpes de picareta e teriam sido obrigadas a ingerirem soda caústica para dificultar as investigações da polícia, posteriormente, elas foram enterradas em cova rasa.

O réu Keulis Jhoni de Souza Cordeiro recebeu pena de 52 anos, oito meses e 15 dias de reclusão, enquanto Luan Cardoso foi condenado a 42 anos e quatro meses. Ambos iniciarão o cumprimento da pena em regime fechado e não poderão recorrer em liberdade. Outros dois envolvidos já haviam sido condenados em 2024, em processo desmembrado.

O julgamento ocorreu em 27 de fevereiro e o Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese apresentada pela promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo, reconhecendo que os crimes foram cometidos por motivo torpe, mediante meio cruel e com recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, os homicídios ocorreram em julho de 2022, após o evento agropecuário Expotã 2022. Haroldo Júnior foi atraído e coagido a entrar em um veículo com os condenados, que posteriormente também emboscaram Marcionílio. As vítimas foram levadas pela BR‑163 até a zona rural, em regiões conhecidas como Linha da Cachoeirinha e Linha Santo Antônio.

As investigações apontaram que os dois homens sofreram torturas físicas e psicológicas durante o percurso. Marcionílio foi morto primeiro, atingido por sucessivos golpes de picareta no crânio. Parte do grupo retornou à cidade para adquirir soda cáustica, utilizada para dificultar a identificação do corpo, ocultado em área de difícil acesso. Haroldo também foi assassinado com golpes de picareta e obrigado a ingerir a substância cáustica antes de ser enterrado em cova rasa.

Os crimes teriam sido motivados por disputas relacionadas ao tráfico de drogas sintéticas, já que as vítimas comercializavam entorpecentes sem autorização da facção criminosa que atua na região.

Durante o julgamento, foram apresentados laudos periciais, depoimentos e provas reunidas pela Polícia Civil. Imagens de câmeras de segurança, registros de redes sociais e informações anônimas coletadas pelo delegado Lucas Lelis Lopes também contribuíram para o convencimento dos jurados.

 

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