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Feminicídios aumentam mais de 30% em MT no primeiro semestre de 2025; três mortes brutais somente nesta semana

Mortes escabrosas como da terapeuta capilar, da mulher executada por vizinho com golpes de barra de ferro na cabeça e de adolescente de 16 anos esfaqueada pelo marido acendem um alerta preocupante.

Feminicídios aumentam mais de 30% em MT no primeiro semestre de 2025; três mortes brutais somente nesta semana

Primeira imagem mostra Gleici Kelly/Segunda arma que ceifou a vida da adolescente/Última foto mostra local em que Maria Selma foi enterrada

Mato Grosso enfrenta uma realidade ainda mais preocupante quanto à violência de gênero, com um aumento de 31,57% de feminicídios nos primeiros seis meses de 2025, em comparação ao mesmo período do ano passado. Somente nesta semana, três casos brutais chocaram a população.

Os dados, que abrangem de janeiro até 25 de junho, foram divulgados no relatório “Mortes Violentas de Mulheres e Meninas”, produzido pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil em parceria com o observatório da Secretaria de Segurança Pública (Sesp).

Entre as cidades que mais registraram mortes de mulheres por motivo de gênero estão Cáceres, Cuiabá, Lucas do Rio Verde, Rondonópolis e Sinop, cada uma com pelo menos dois feminicídios. Outros municípios que também tiveram casos neste período incluem Água Boa, Alta Floresta, Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia, Confresa, Guarantã do Norte, Juscimeira, Nobres, Nova Mutum, Pontes e Lacerda, Ribeirãozinho, São José do Rio Claro, Sorriso, Várzea Grande e Vera, com uma morte em cada localidade mencionada.

Segundo as estatísticas, 26 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso até está quinta-feira (26), um aumento de pelo menos sete mortes em relação ao mesmo período de 2024, quando houve 19 vítimas. No total, o Estado contabilizou 47 feminicídios até o final de dezembro de 2024.

O diagnóstico aponta que, das 47 vítimas do ano passado, 41 eram mães. Nove mulheres foram mortas na frente dos filhos. Os crimes ocorreram em 28 cidades do Estado, sendo setembro o mês com maior número de ocorrências, com oito casos.

Vale destacar que, em âmbito nacional, o Brasil registrou um aumento de 0,69% no número de feminicídios em 2024, atingindo um recorde histórico de 1.459 vítimas, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Mato Grosso contribuiu de forma significativa para esse aumento, apresentando a maior taxa de incidência do crime no país, com 2,47 por 100 mil mulheres.

Além dos números, os casos recentes ilustram a gravidade da situação. Nesta semana, ocorreram episódios chocantes em Mato Grosso, evidenciando a violência contra mulheres pela condição de gênero.

Um exemplo é o caso da empresária e terapeuta capilar Gleici Kelli Geraldo de Souza, de 42 anos, morta enquanto dormia pelo próprio marido, o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, de 36 anos. Ela deixa duas filhas, uma delas de 7 anos, que também foi atacada com golpes de faca pelo próprio pai, na casa da família, em Lucas do Rio Verde (332 km de Cuiabá). A menor está internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Cuiabá.

Outro caso trágico foi o de Maria Selma Rocha dos Anjos, de 51 anos, morta a golpes de barra de ferro na cabeça, em Rondonópolis (212 km de Cuiabá). No último domingo, a polícia encontrou a vítima parcialmente enterrada no quintal de casa, seminua, com mordaças e várias lesões na face.

Além da brutalidade, o suspeito do crime, que era ex-companheiro da vítima, ligou para a atual mulher, que é vizinha da vítima, e mostrou o corpo de Maria Selma, na tentativa de intimidá-la, com quem vivia sob ameaça. O criminoso, que já tinha 14 passagens pela polícia, teve a prisão preventiva decretada. 

Por fim, o caso mais recente, que não está no úlitmo levantamento, ocorreu na madrugada desta quinta-feira, em São José dos Quatro Marcos (309 km de Cuiabá). Maryelly Ferreira Campos, de 16 anos, foi morta a facadas pelo marido de 25 anos, após ele supostamente flagrar ele tendo um relacionamento extraconjugal com um colega. O rapaz Wallisson Rodrigo Scapin Gasques, de 25 anos, também foi morto. O agressor continua foragido.

Embora ainda não tenha confirmação de que se trata de um feminicídio, mais uma mulher, Roseni da Silva Karnoski, de 52 anos, também teria sido alvo de disparo de seu marido, de 57 anos, que é colecionador, atirador desportivo e caçador. O fato ocorreu no Distrito de Ranchão, na cidade de Nova Mutum (a 241 km de Cuiabá), na noite de terça-feira.

Leiagora
Foto: reprodução

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