Cultura

Flores e pedras

Por Dulce Lábio

 

Caminhei, e enquanto olhava as flores e as pedras, vi o Amor.
Desejei descrever o Amor, refleti mas não encontrei palavras; tudo já foi escrito. Tudo já foi dito.
Então entendi que Amor, a gente vive!
Amor a gente faz; com a alma, com o corpo, com o olhar.
No olhar, cabe todo o amor do mundo.
Para quê escrever, se podemos sentir?
Para quê medir, se o coração se expande infinitamente para o receber?
Para quê definir um tempo, se o amor é múltiplo e se divide em mil faces, e em cada face e em cada tempo ele toma formas e cores diferentes?
O tempo…O tempo não tem o poder de aprisionar o Amor, ele resiste aos anos e milênios.
Não pode ser engaiolado, pois explode mais forte, força incontrolável.
Força da natureza.
Não há barreiras, nem paredes.
Apenas a sensação de que tudo são…flores.
Olhei as flores e as pedras.
As flores, perfumadas, belas, estavam a perecer.
Mas as pedras, lá estavam, imutáveis…duras, sem beleza, mas eternas.
Vi o Amor, nas flores e nas pedras.
Vi o Amor na matéria transitória, e vi o Amor no Espírito eterno.
Quando o Homem pensa que já viveu todas as formas de Amor, quando tudo começa a ficar sem sentido e ele percebe que tudo se volatiza, então descobre o Amor Divino, o Infinito, o Espírito Imortal.

Dulce Lábio é escritora e poetisa, colabora com o site Hoje

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *