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Governo lança gabinete de enfrentamento enquanto Mato Grosso vive alta histórica de feminicídios

O governador Mauro Mendes (União) anunciou, nessa quarta-feira (10), a implantação do Gabinete de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, que será liderado pela delegada Mariell Antonini. Segundo o governador, Mariell reúne mais de dez anos de atuação na proteção às mulheres e já está à frente da Coordenadoria de Enfrentamento da Polícia Civil.

Mauro afirmou que o novo gabinete terá a missão de integrar e fortalecer as políticas públicas já desenvolvidas pelas secretarias estaduais, ampliando a capacidade do Estado de diagnosticar, prevenir e combater crimes de violência de gênero. “É um assunto que incomoda todo cidadão de bem do estado de Mato Grosso e do Brasil inteiro. Vamos adotar quantas medidas forem necessárias para proteger as famílias”, declarou.

O anúncio ocorre em um momento em que Mato Grosso enfrenta um dos cenários mais alarmantes do país no que diz respeito à violência de gênero. O estado segue liderando o ranking nacional de feminicídios, com taxa de 2,5 mortes a cada 100 mil mulheres, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 2024, 47 mulheres foram assassinadas em razão de gênero, número que aumentou em 2025, quando, apenas entre janeiro e outubro, 45 casos já haviam sido registrados.

Os relatórios recentes do Ministério Público, da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública mostram que a violência não só permanece em alta como também apresenta novas dinâmicas. Um levantamento do Observatório Caliandra revelou, por exemplo, que as quintas-feiras se tornaram o dia da semana com maior incidência desses crimes em 2025, tendência possivelmente influenciada pelo consumo de álcool e drogas associado a partidas de futebol nas noites de quarta. A maior parte das ocorrências continua acontecendo dentro das residências, reforçando a vulnerabilidade de mulheres expostas a convivências abusivas, pois 83% dos feminicídios em 2024 ocorreram no ambiente doméstico.

O primeiro semestre de 2025 também registrou um avanço de 31,57% dos feminicídios em relação ao mesmo período do ano anterior. Cidades como Cáceres, Cuiabá, Lucas do Rio Verde, Rondonópolis e Sinop aparecem entre os municípios com mais mortes. A gravidade da situação é reforçada pelo alto índice de casos envolvendo extrema brutalidade e vítimas adolescentes, como os assassinatos de Emelly Azevedo Sena e Heloysa Maria de Alencastro Souza, que causaram forte comoção social.

Junho se destacou como o mês mais sangrento de 2025, concentrando dez feminicídios, incluindo o assassinato da empresária Gleici Kelli Geraldo de Souza, morta com 21 facadas enquanto dormia, em Lucas do Rio Verde, e o homicídio de Maria Selma Rocha dos Anjos, encontrada parcialmente enterrada no quintal de casa, em Rondonópolis. Também foram registrados casos de violência que atingiram crianças e de agressores que tiraram a própria vida após cometer o crime, padrão que Mato Grosso também lidera nacionalmente.

Leiagora

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