Polícia

Mensagens entre garota de MT e namorado que matou família no RJ revelam que menores cogitaram canibalismo

Assunto surgiu quando os menores conversavam sobre a ocultação dos cadáveres após o crime

Trocas de mensagens macabras entre a garota de 15 anos, moradora de Água Boa (a 639 km de Cuiabá), e o namorado virtual de 14 anos, que matou os pais e o irmão de 3 anos no Rio de Janeiro, revelam que os menores chegaram a cogitar picar os corpos das vítimas e cometer canibalismo.
A informação foi revelada pelo delegado responsável pelo caso, Carlos Augusto Guimarães, durante entrevista ao canal do YouTube Crime e Mistério S/A, apresentado por Beto Ribeiro, na segunda-feira (21).
Conforme o delegado, o assunto surgiu quando os menores conversavam sobre a ocultação dos cadáveres, após o crime. “Na ocultação de cadáver começam a se enrolar e sem saber o que fazer. Acho que não planejaram muito bem isso aí. Ai que vem a história do canibalismo, picar os corpos e a história de queimar e jogar na cisterna”, contou.Apesar da sugestão macabra, o delegado enfatizou que a ideia não foi levada adiante e que o garoto optou por jogar os corpos dos pais e irmão na cisterna na casa da família.

“Não sei se iam fazer isso realmente, mas tem conversas ali que falam sobre comer corpos, mas isso não foi levado adiante. Assim como não foi levado adiante a ideia de querer matar a avó, que é uma pessoa que poderia desconfiar de alguma coisa”…
“Tinha troca de mensagens entre os dois, absurdas, assustadoras, macabras até. Realmente indicavam a participação dela como pessoa que induzia, aliciava ele ativamente remotamente e virtualmente inclusive um pouco antes, durante o fato em si e depois”, garantiu.

Outro detalhe destacado pelo delegado é a frieza dos adolescentes, tanto da garota de MT quanto do menino.

“Só falavam disso” de matar de como seria. A gente não vê nenhum tipo de conversa normal entre um casal… Nas mensagens você percebe bem a estimulação de querer dominar. Ela queria um “homem perfeito, um homem ideal, não um menino” a gente vai percebendo subliminarmente que realmente ela exercia um domínio sobre ele”, completou.

Novas investigações

A Polícia Civil do Rio de Janeiro em conjunto com a de Mato Grosso irão fazer novas investigações no computador da garota de Água Boa. As conversas com o namorado estavam no computador, incluindo um perfil com o nome de John Wick, personagem de um filme de ação que conta a história de um assassino de aluguel interpretado por Keanu Reeves.

A polícia suspeita que ela possa ter outros perfis utilizados para manter contato com outras pessoas, o que será investigado.

Apesar disso, a polícia concluiu que as motivações foram tantas as negativas dos pais em relação a ida do adolescente a MT quanto a ganância do adolescente.

Entenda o caso

Os corpos de Inaila Teixeira, de 37 anos, Antônio Carlos Teixeira, de 45, e do filho mais novo do casal, de 3 anos, foram encontrados na quarta-feira (25), em Itaperuna (RJ), por uma equipe da 143ª Delegacia de Polícia.

O adolescente procurou a delegacia ao lado da avó paterna e relatou o desaparecimento da família. Ele afirmou que o irmão havia engasgado com um caco de vidro e que os pais haviam desaparecido ao levá-lo ao hospital.

A polícia verificou que nenhum hospital da cidade havia recebido a família. Diante da inconsistência do relato, os agentes foram até a casa da família, onde encontraram forte odor de putrefação. Os corpos estavam dentro de uma cisterna.

A quantidade de sangue espalhado pela casa era incompatível com um acidente doméstico. Confrontado, o adolescente confessou os crimes. Disse que atirou na cabeça do pai e da mãe, e no pescoço do irmão, alegando que matou o caçula para poupá-lo da dor de perder os pais.

Durante a perícia, os investigadores encontraram uma mochila pronta para viagem, contendo os celulares das vítimas. O adolescente havia planejado a fuga para Mato Grosso.

Depois de assassinar a família o adolescente pesquisou como sacar o FGTS de pessoas mortas e planejava vender a casa e o carro da família.

A menor de Água Boa foi transferida para o Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino, antigo Pomeri, em Cuiabá. O autor dos assassinatos foi apreendido na ocasião em que confessou os crimes.

Leiagora
Foto: reprodução

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