Opinião

Michelle Bolsonaro e o novo cerco à imprensa

João Bosco Rabello explica como episódio fake contra jornalistas e o “desejo de morte” virou isca para Michelle Bolsonaro inflamar as redes

Não há limites para o que podemos chamar de “logística da mentira”.

O episódio envolvendo Michelle Bolsonaro e o compartilhamento de um vídeo histérico contra jornalistas na porta do hospital onde o ex-presidente está internado é a prova de que o bolsonarismo não abre mão do seu método favorito: o ataque à imprensa.

Michelle, com seus 8 milhões de seguidores, não apenas compartilhou um vídeo, ela deu o sinal verde para uma nova onda de ameaças contra profissionais que estão apenas cumprindo o seu dever de informar.

O vídeo em questão é de um amadorismo gritante. Uma mulher que aparenta alto grau de fanatismo acusa jornalistas de estarem “comemorando” ou “desejando” a morte de Jair Bolsonaro. É uma cena patética, sem qualquer prova, baseada em fragmentos de conversas que ela diz ter gravado, mas que ninguém viu.

Para o jornalista político João Bosco Rabello, o objetivo é claro: desumanizar os repórteres que estão de plantão sob sol e chuva, que de praxe conversam sobre os próximos passos da política nacional em intervalos das coletivas e portarias. Querem transformar o trabalho da imprensa em um desejo mórbido, uma inversão de valores que só serve para alimentar os grupos de ódio nas redes sociais.

A ironia, segundo Rabello, é que nem mesmo os maiores adversários políticos de Bolsonaro desejam a sua morte. Politicamente, ele vivo é muito mais “útil” para a oposição — seja para responder pelos seus crimes na Justiça, seja para não virar um mártir que unifique a direita de forma incontrolável. É preciso que Bolsonaro esteja saudável o suficiente para que possa assumir as consequências da tentativa de golpe contra a democracia brasileira.

Michelle Bolsonaro sabe disso. Ela não é ingênua. Ao espalhar essa farsa, ela busca sensibilizar aquela parcela do eleitorado que ainda hesita, usando a internação do marido como isca para uma guerra cultural.

É um golpe baixo, pequeno e mesquinho.

No fim das contas, a família Bolsonaro mostra que, mesmo diante de um leito de hospital, a prioridade nunca é a recuperação do homem, mas a sobrevivência do método golpista que se alimenta da desinformação e do medo.

Fiquemos atentos: é o cartão de visitas de algumas campanhas que virão nessas eleições.

 

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