Polícia

Motociclista de app foi torturado por pelo menos cinco faccionados, diz delegado

A autoridade relatou que a investigação identificou que o crime teria sido de fato cometido por membros de uma organização criminosa, que se auto-intitula “justiceiros da sociedade”.

O motociclista de aplicativo Daferson da Silva Nunes, de 34 anos, foi torturado por mais de três horas antes de ser executado por ao menos cinco membros de uma facção criminosa. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (23) pelo delegado Michael Paes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, responsável pela investigação.

O corpo de Daferson foi encontrado na quarta-feira (22), em uma estrada vicinal na região do Distrito do Sucuri, em Cuiabá. Ele estava com as mãos amarradas, apresentava sinais de disparos de arma de fogo na cabeça e tinha lesões pelo corpo, indicando que sofreu agressões prolongadas antes de ser morto.

“A vítima foi refém das redes sociais. Circulou nos grupos de WhatsApp, que ele estava decretado, que ia morrer. Ele quis se defender, fez um boletim de ocorrência e, em seguida, ele mesmo foi contatar o pessoal, falando: ‘não fui eu’. E eles disseram: ‘não, está tudo bem, só queremos saber se foi você mesmo’… Marcaram um lugar para se encontrar achando que de fato alguém ia escutar”.
A autoridade relatou que a investigação identificou que o crime teria sido de fato cometido por membros de uma organização criminosa, que se autointitula “justiceiros da sociedade”.

“Foram vários veículos e mais de cinco pessoas, eu posso garantir. Ele ficou sendo agredido por horas… E se ele confessou algo, foi por causa da tortura, qualquer um fala o que o outro quer ouvir, porque enquanto você não fala, você continua apanhando”, explicou.

Paes reforçou que o grupo responsável pela execução age como “justiceiro”, mas comete crimes ainda mais graves.
“Nós vivemos em um Estado democrático de direito, não da barbárie. Essas pessoas se fingem de justiceiras, mas não são. Eles são piores, porque estupram também, matam, vendem drogas, fazem isso com mulheres que supostamente traíram o marido. Só para vocês terem um exemplo.”As investigações seguem em andamento para identificar e prender todos os envolvidos no crime.

Suspeito alegou difamação

Ainda na terça-feira (21), Daferson havia registrado um boletim de ocorrência na Polícia Civil, negando o crime de estupro e dizendo ser vítima de difamação. No documento, ele relatou que a passageira teria iniciado um assédio durante a corrida, tocando-o na cintura, e que pediu para que ela parasse. Após o desentendimento, segundo ele, a mulher chorou e pediu para encerrar a corrida nas proximidades de uma escola na avenida Filinto Müller.

Sêmen é encontrado na vítima

Na manhã de quinta-feira (23), o exame pericial confirmou a presença de sêmen no corpo da vítima de estupro, no entanto, ainda não foi confirmado se o material é de fato do suspeito, que será apontado no confronto genético. Ainda não tem o prazo para o resultado ser divulgado.

Leiagora
Foto: reprodução

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