Variedades

Na Casa da Bruxa você encontra artesanato magia e mistérios

Flávia Rosa chegou a Rondonópolis nos anos 1980, ainda adolescente. Estudou no Colégio Sagrado Coração de Jesus, onde construiu suas primeiras amizades. Aqui se casou, formou família, teve filhos e netos. Desde a infância, seu sonho era ser professora. Graduou-se em Geografia pela UFMT – Campus Rondonópolis, hoje UFR. No entanto, com o tempo, descobriu que sua verdadeira vocação era o artesanato.

“A arte massageia meu ego. Sempre que entrego uma nova peça para um cliente e vejo o brilho nos seus olhos, isso me deixa muito feliz”, relata.

Quando fundou a Casa da Bruxa, no Casario, criou o lema: “Se não tem, eu dou um jeito”. Tudo na Casa da Bruxa é artesanato, feito por ela ou por um dos diversos parceiros. Seja ela ou eles, todos trabalham para realizar o sonho dos clientes. Hoje, conta com grandes parceiros que atuam na área. Durante a pandemia, tudo fechou. O Casario foi um dos primeiros a fechar e o último a reabrir. Para sobreviver, Flávia tornou-se guardiã do espaço Casario, enfrentando um período extremamente difícil. “Viver de artesanato não é fácil, mas é possível”, afirma.

Seu pai veio para Rondonópolis para trabalhar no ramo da metalurgia e foi o fundador da Metalúrgica Sinuelo,  hoje está desativada  Ele faleceu há alguns anos. Sua mãe segue viva, com boa saúde, aos 82 anos.

Flávia Rosa é conhecida como a bruxa mais famosa de Rondonópolis. Nascida cristã, foi batizada na Igreja Católica, cumpriu todos os ritos, fez a primeira comunhão, foi crismada e teve seu primeiro casamento celebrado no catolicismo. Após o fim desse casamento, sentiu o desejo de viver novas experiências e buscar respostas para muitas perguntas que se fazia. Seu avô materno era kardecista, e foi nesse caminho que descobriu a origem de suas dores e mal-estares, percebendo-se médium. Do kardecismo, passou para a Umbanda; depois, deixou a Umbanda e ingressou na igreja evangélica, onde congregou por muitos anos.

O encontro com o mago Djalma Barros, músico conhecido na cidade, apaixonado por rock e magia, marcou uma virada em sua vida. Foi ele quem lhe disse: “Você está no lugar errado”. Djalma possuía uma vasta biblioteca sobre magia, e Flávia passou a estudar intensamente. Em certo momento, confidenciou a ele: “Tenho a sensação de que já conheço tudo isso”. Sentir as energias, conversar com o fogo, o vento e os elementos da natureza sempre lhe pareceu natural. Eles acabaram se casando, o que facilitou ainda mais seu aprendizado, já que o mago detém amplo conhecimento sobre o tema.

Quanto mais estudava magia, mais se sentia envolvida pelos elementos da natureza, aproximando-se ainda mais de Deus. Seu elemento é a água, que permite que tudo flua — e assim ela seguiu. Na bruxaria, existem as fases da menina, da mulher e da anciã. Hoje, Flávia se encontra na fase anciã, quando a credibilidade construída ao longo dos anos é reconhecida. Há 25 anos, assumiu-se como bruxa e mudou o nome da loja, que antes se chamava Arte Mágica, para Casa da Bruxa.

A bruxa atende muitos clientes, entre eles políticos de alta esfera e cidadãos conceituados da cidade, que buscam conselhos, poções, leituras do oráculo e outras práticas mágicas. Segundo ela, as bruxas não interferem no passado nem no futuro. As leituras se concentram no presente, ajudando os consulentes a compreenderem o momento que estão vivendo.

Muitas pessoas, inclusive amigas, se assustaram ao descobrir que Flávia era bruxa. Sua bruxaria é praticada dentro de casa, no fundo do quintal. Ainda assim, ela se sente estigmatizada quando alguém deixa de entrar em sua loja por causa do nome, associando a bruxaria a algo negativo ou ao diabo. “Muitas pessoas ainda nos veem como as bruxas do cinema e das lendas”, conclui.

Da redação

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