Cultura

O homem que o Amor alcançou

*Aleny Terezinha Gomes Duarte.

 

Nasceu entre o simples e o ter,

Nem pobre, nem rico, aprendeu a viver.

Cresceu entre livros, vitórias e dor,

Construiu seus castelos, desfez com rancor.

Caminhou longas trilhas, correu sem parar,

Por vezes sentou-se apenas para chorar.

Com a alma ferida, o corpo em arranhão,

Sentiu um bálsamo leve acalmar o coração.

Seguiu sem descanso, lutando a existir,

Formou sua casa, viveu para servir.

Mas a sombra chegou, trouxe erro e cansaço,

Tristeza e desânimo romperam o laço.

Bebeu seus naufrágios, fumou solidão,

Perdeu-se de si, ficou na ilusão.

Caiu, levantou-se, tentou prosseguir,

Nova queda, novas dores a lhe consumir.

Um dia, sentiu um sussurro de luz,

Esperança distante, qual farol que reluz.

Mas virou o rosto, preferiu desistir,

Como ovelha perdida, deixou-se sumir.

A família distante, o silêncio a gritar,

Até que uma voz começou a chamar.

Um socorro suave, um convite a tentar,

Uma mão no ombro, um rumo a apontar.

E uma cruz vazia, ele foi encontrar,

E ao contemplar, sentiu-se quebrar.

Veio um calor manso, uma paz sem razão,

Que inundou por inteiro seu velho coração.

Sentiu sem merecer, caiu em pranto,

Arrependimento em grande quebranto.

O coração rendido, no pó se prostrou,

E ali, sem forças, chorando ficou.

“Como pode alguém me amar assim?”

Pensava-se indigno, perto do fim.

O mais vil dos homens, pecador sem valor,

Mas ouviu da Palavra um chamado de amor:

“Vinde a Mim, cansado, Eu te ajudarei.”

E em meio às lágrimas, ele disse: “eu irei.”

“É impossível alguém me amar assim”,

Repetia em soluços, chegando ao fim.

Chorou, chorou, e pediu perdão,

Prostrado, caído, em total rendição.

Então ouviu: “Levanta-te, Eu te fortaleço,

Vem, não temas, Eu te restabeleço.”

E ele foi, sentiu o amor florescer,

Viveu o amor que o fez renascer.

Constrangido, entregue, ajoelhou-se ali,

Sentiu-se leve, perdoado enfim.

A vida antiga ficou para trás,

Perdida no tempo, curada em paz.

Cicatrizes que o vento tentou apagar.

Hoje estão serenas, apenas a descansar.

Pois quem prova o amor que vem do Senhor,

Carrega no peito um fogo de amor.

E mesmo que a noite se estenda em redor,

Nunca mais anda só, segue firme na dor.

 

*Aleny Terezinha Gomes Duarte – Professora de História,

aposentada, escritora, autora do livro “Cajá Manga”, e coautora do livro “Rondonópolis – 72 anos.

É associada da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil –  AJEB/MT.

 

Foto da autora: Acervo.

Foto da coluna: Cesar Augusto.

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