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O “impeachmaço” e o cinismo da lacração parlamentar

Marcha ao STF por impeachment de 16 ministros é teatro jurídico para alimentar o auditório digital.

O Congresso Nacional foi palco de mais uma encenação daquelas que envergonhariam qualquer defensor sério do Legislativo.

Um grupo de parlamentares, liderado pela deputada Carol de Toni, resolveu marchar em direção ao Supremo Tribunal Federal para protocolar um pedido de impeachment contra nada menos que 16 ministros do governo Lula.

O motivo alegado?

Supostos requerimentos de informação não respondidos. Pois é. O que para o eleitor desavisado parece uma ação fiscalizatória, para quem conhece o rito do poder não passa de uma fanfarronice com data de validade: a próxima campanha eleitoral.

O cinismo dessa turma é de tirar o fôlego.

A começar pelo destino da marcha: o STF não tem competência para abrir processo de impeachment contra ministros do Executivo por esse motivo. Mas quem se importa com o rito quando o objetivo é o corte para as redes sociais?

Parlamentares, se não desconhecidos, de baixo clero, que pouco produziram de relevante para o país, usam o tempo para fabricar factoides.

É a política reduzida ao clique, a guerra cultural de quem não tem proposta para apresentar e precisa alimentar a militância com indignação artificial.

Na verdade, estamos diante de “parasitas da democracia”. São deputados que transformaram as comissões da Câmara em palcos de má educação, forçando as lideranças sérias a trabalharem fora do ambiente oficial para fugir da barulheira. O “impeachmaço” é juridicamente vazio; para configurar crime de responsabilidade, o requerimento precisa ser aprovado por órgãos da Casa, e não ser apenas um desejo individual ignorado. Mas a lógica ali é outra.

No fundo, essa marcha é apenas mais um item no catálogo de fake news produzido para consumo interno. É o descaramento de quem se diz representante do povo, mas age apenas como animador de auditório digital.

Que qualidade!

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