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O inglês do Trump

“Sadly, the American dream is dead. But, if I get elected president, I will bring it back, bigger and better than ever.” – Donald Trump, in June 2015.

Houve um tempo em que os presidentes americanos serviam de modelo e norte para o mundo, em especial depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Foi assim, em muitos e diferentes momentos e aspectos, com Franklin Delano Roosevelt, John Fitzgerald Kennedy e Barack Hussein Obama II, por exemplo.

Geralmente listados entre “os homens mais poderosos do planeta”, os American Presidents se acostumaram a olhar o mundo de cima para baixo, ainda que lances e relances de tratamento igualitário e cooperação mútua pudessem ser registrados aqui e ali pela mídia como gestos de gentileza, grandeza ou até mesmo de piedade dos então líderes do Grande Irmão do Norte.

Eleito em 2016, o empresário, político republicano e midiático Donald John Trump cumpriu o seu primeiro mandato como o 45º presidente do seu país de 20 de janeiro de 2017 a 20 de janeiro de 2021, tendo como vice Michael Richard Pence (ou Mike Pence). Seu estilo falastrão e fanfarrão não agradou muita gente e ele acabou não sendo reeleito. Perdeu para a dupla democrata Joseph Robinette Biden Jr. (ou Joe Biden) e Kamala Devi Harris – mas não falta quem diga que ele, na verdade, perdeu foi para si mesmo.

Na eleição seguinte, em 2024, ele foi eleito novamente, tendo o jovem James David Vance (ou J. D. Vance) como seu vice desta vez. Com isso, ele se tornou o 47º presidente dos Estados Unidos da América, derrotando os democratas Kamala Harris e Timothy James Walz (ou Tim Walz).
Nascido na cidade e no estado de Nova Iorque no dia 14 de junho de 1946, o estilo pessoal e profissional de Trump, desde jovem, sempre foi considerado uma perigosa mistura de arrogância, extravagância e esquisitice, levando-o a viver num universo só seu, repleto de muito dinheiro e poder, mas também de situações bizarras e contraditórias aos olhos de boa parte do mundo, em especial depois que ele se tornou uma figura pública em escala global.

Controverso, ele é um especialista em desafiar tradições e impressionar as pessoas com os seus atos e as suas palavras, não raramente demonstrando seu desconhecimento (ou ignorância) histórico-cultural e cometendo gafes e abusos dentro e fora do seu país.

Notadamente informal e direto, ele costuma usar palavras e frases extremamente simples, abusando do uso de adjetivos (no superlativo), de pausas e de repetições. Estrategicamente, o seu tom de voz costuma ser agressivo e autoritário, aumentando e diminuindo de volume de acordo com o interlocutor e a situação ou intenção.

Suas perguntas retóricas e seus argumentos são geralmente recheados de (mau) humor, sarcasmo ou zombaria, dependendo do número de pessoas com quem ele esteja falando e do contexto em que ele se encontra. Isso ocorre, inclusive, quando ele fala de si mesmo utilizando a terceira pessoa do singular – he (ele, em inglês).

Apesar de tudo isso, seus discursos conseguem conquistar/convencer o público republicano e também alguns seguidores ou membros de outros partidos políticos. Isso porque a sua argumentação, a sua oratória, por mais canhestra e estranha que possa soar e parecer para os seus adversários, funciona com o grande público, e em especial com aquela parte dos fellow Americans que não está nada satisfeita com a atual situação americana, quando comparada com à das demais nações do mundo.

Em março deste ano, para a alegria dos comediantes e dos seus imitadores (impersonators, em inglês), ele voltou a surpreender muita gente ao assinar um decreto que reconhece o inglês como o idioma oficial do país. Como geralmente acontece, isso (des)agradou muita gente, que vê (des)vantagens no médio ou longo prazo para os States. As consequências desta e de outras medidas tomadas por ele certamente serão sentidas, cedo ou tarde, em maior ou menor proporção, por (quase) todas as nações.

O fato, dear reader, é que só mesmo o tempo dirá se os dois mandatos de Donald Trump o colocaram na vala dos políticos comuns ou fizeram dele um dos maiores ou mais medíocres líderes que os EUA já tiveram desde a sua independência, em 1776.

“Infelizmente, o sonho americano morreu. Mas se eu for eleito presidente, vou trazê-lo de volta, maior e melhor do que nunca.” – Donald Trump, em junho de 2015.

 

(*) JERRY MILL é professor de língua inglesa, escritor e associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis

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