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Polícia investiga uso de IA para forjar imagens íntimas de adolescentes

Mais de 20 pais procuraram a delegacia para denunciar manipulação de fotos de meninas entre 15 e 17 anos; quatro celulares de suspeitos, também menores, foram apreendidos e passam por perícia.

Uma denúncia feita pela vereadora Luiza Böer (PL) expôs um caso envolvendo o uso de inteligência artificial para manipular imagens de adolescentes em Juína (730 km de Cuiabá). Segundo a parlamentar, fotografias de meninas teriam sido alteradas digitalmente para criar conteúdos de teor íntimo, que passaram a circular na internet e em plataformas voltadas ao público adulto.

A situação gerou preocupação entre familiares e levou pais de estudantes a procurarem as autoridades. Conforme informações repassadas pela Polícia Civil, mais de 20 responsáveis por alunas de duas escolas do município procuraram a delegacia entre quarta e quinta-feira (11 e 12) para relatar o uso indevido de imagens de adolescentes por meio de ferramentas de inteligência artificial.

Diante das denúncias, a corporação instaurou procedimento investigativo para apurar o caso. Durante as buscas iniciais, quatro celulares foram apreendidos com possíveis suspeitos, também menores de idade, e passam por análise para extração de dados que possam comprovar a autoria e a dinâmica de produção e compartilhamento do material.

A maioria das vítimas tem entre 15 e 17 anos. As investigações estão em andamento e são conduzidas pelo delegado Marco Remuzzi, responsável pelo caso. Segundo a Polícia Civil, o objetivo agora é reunir elementos que esclareçam como as imagens foram manipuladas e disseminadas.

O caso veio a público após manifestação da vereadora nas redes sociais. Na publicação, Luiza Böer afirmou ter sido procurada por familiares de jovens que teriam tido suas imagens alteradas digitalmente. Para ela, a situação evidencia os riscos associados ao uso indevido de tecnologias de inteligência artificial, capazes de gerar conteúdos falsos com alto grau de realismo.

A parlamentar também declarou solidariedade às vítimas e às famílias atingidas.

No Brasil, a produção, armazenamento ou divulgação de imagens íntimas sem autorização pode configurar crime. Quando envolve menores de idade, a conduta pode se enquadrar em dispositivos do Código Penal e também no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com penas mais severas.

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Leiagora
Foto: divulgação

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