Polícia

Policial é condenado a 12 anos por tentativa de homicídio contra adolescente

A vítima, que era jogador de futebol, teria flagrado ele brigando com a namorada e acabou perseguido pelo policial que atualmente também responde pelo assassinato da esposa

Policial é condenado a 12 anos por tentativa de homicídio contra adolescente

O policial militar Ricker Maximiano de Moraes foi condenado a 12 anos e 10 meses de prisão em regime fechado por tentativa de homicídio qualificado contra um adolescente de 17 anos, em crime ocorrido em 2018, em Cuiabá. O julgamento foi realizado na terça-feira (8), no Fórum da Capital, e durou mais de 11 horas. A sessão foi conduzida pelo juiz Lawrence Pereira Midon, dentro do Programa Mais Júri, que busca dar celeridade a processos de crimes contra a vida.

O caso chamou atenção por envolver um agente da segurança pública em um crime cometido contra um jovem que, à época, era menor de idade. Segundo a acusação, o PM usou de recurso que dificultou a defesa da vítima, o que agravou a pena. Por outro lado, o fato de o adolescente ter sobrevivido ao ataque foi considerado como atenuante.Com isso, a pena final aplicada foi de 12 anos e 10 meses de reclusão. A Justiça determinou ainda o pagamento de uma indenização mínima de 10 salários mínimos à vítima e a suspensão dos direitos políticos do réu. Ele permanecerá preso preventivamente.

O crime ocorreu em 2018, na Avenida General Melo, em Cuiabá. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) defende que o réu atirou contra o jogador de futebol, na época dos fatos com 17 anos, por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O promotor de Justiça Jacques de Barros Lopes pediu a prisão preventiva do PM.

Além da tentativa de homicídio, Ricker é investigado por um crime ainda mais grave: o assassinato da própria esposa, Gabrieli Daniel de Moraes, de 31 anos, ocorrido em maio deste ano. Gabrieli foi morta a tiros dentro de casa na frente dos filhos.

Durante o julgamento dessa terça-feira, mesmo com a defesa apresentando um laudo médico apontando diagnóstico de esquizofrenia, o juiz negou o pedido de instauração de Incidente de Insanidade Mental, permitindo que o júri popular ocorresse normalmente. A alegação da defesa foi rejeitada após análise do magistrado.

O caso

Consta nos autos que a vítima estava retornando para casa na companhia de outros dois adolescentes, quando se depararam com um casal discutindo na rua — o policial militar e sua namorada. O PM disse aos adolescentes: “O que vocês estão rindo? VAZA, VAZA!”. Em seguida, levantou a camisa e retirou uma arma de fogo da cintura.

Na sequência, a vítima e os adolescentes saíram correndo, sendo perseguidos pelo réu, que também correu atrás deles. Após alguns metros, a vítima percebeu que o PM havia parado e, por isso, também parou de correr. Nesse momento, Ricker efetuou disparos de arma de fogo contra a vítima, que foi atingida pelas costas.

“Esse jovem tinha um pré-contrato com um time de futebol, era um jogador promissor. Ele teve sua carreira esportiva e profissional completamente ceifada. O jovem possui sequelas graves em decorrência do ferimento por arma de fogo. Perdeu a locomoção e o movimento de uma das pernas por um tempo. Usou sonda durante bastante tempo”, pontuou o promotor.

Durante o processo, o réu ainda teria tentado forjar que se tratava de uma tentativa de assalto. “Ele tenta, a todo momento, criar um estereótipo de bandido para os jovens, porque, na cabeça dele, eram jovens com aparência de criminosos. Quando, na verdade, eram apenas jovens pobres, negros, que estavam de camiseta, chinelo e boné, caminhando por uma rua da cidade.”

Histórico polêmico

Em setembro de 2023, ele matou a tiros o cachorro do vizinho, da raça American Bully, alegando que o animal havia avançado contra sua filha. O caso gerou comoção e repercussão nas redes sociais na época.

Leiagora
Foto: TJMT

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