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Três gerações em férias no Goiás

 

Saímos às cinco da madrugada, de Rondonópolis, Mato Grosso. Eram três gerações no mesmo veículo Cronos preto. Eu, um vô quase setentão, meu filho Pablo e o seu filho Bryan. O destino era Caldas Novas, Goiás, era o início do mês de novembro de 2024, e chegamos no mesmo dia, ainda com o sol vivo, querendo se esconder na colina.
E, no mesmo dia já fomos para as piscinas. O Bryan, com os seus oito anos ativos, já estava a domar um jacaré, que não era pantaneiro, mas verde e inflável. Não demorou muito ele já montava o réptil fake.
No outro dia fomos para um parque, e foi ali que nós começamos a juntar penas de aves, que hoje faz parte de uma coleção, exposta no meu escritório, meu não, meu e do Bryan, porque ele tem espaço cativo e até uma gaveta especial com apetrechos de toda forma por aqui. No parque cansamos de andar por ali, e eu estava exausto ao final do dia, e olha que não fui em todos os espaços que o Pablo e o Bryan Martins Silva foram. Eles falavam das ações maravilhados, como se me provocassem para eu querer ir, mas a minha negativa era a resposta na ponta da língua. E o Bryan verbalizava que eu não sabia o que estava perdendo. Para não dizer que eu não vi o menino reclamar dos brinquedos, foi apenas de um escorregador enorme, que parecia não terminar nunca, onde ele disse que ficou com medo, o que era uma coisa raríssima para aquele meu querido neto.
No terceiro dia, fomos para uma praça e lá encontramos o Monteiro Lobado, mudo, inerte, mas, também, não precisava falar nada, porque já tinha falado quase tudo, e continua a falar, ainda naquele dia e hoje, por outras formas. Instiguei ao Bryan a trocar umas ideias com o escritor, que já foi promotor naquela cidade goiana.
Sempre saíamos do hotel para irmos nos alimentar, até para conhecer as redondezas, pois íamos a pé por ali perto. Visitamos alguns restaurantes e conhecemos a boa comida goiana. Mas, o pedido para voltar logo ao hotel e obviamente às piscinas era confirmado pelo menino à toda hora.
O Bryan não cansava das piscinas, e eu tinha de cuidar dele, que fazia amigos facilmente. Novos amigos chegavam e outros partiam. Ele brincava e eu ficava no notebook trabalhando no livro infantojuvenil “Um passeio no Pantanal mato-grossense“, próximo às piscinas. A academia do hotel estava em reformas e o Pablo tinha horários noutra unidade fora do hotel. O meu neto não se cansava e eu tinha que medir minhas ações para não cansar, mesmo nada fazendo, exceto as pesquisas e produção de textos no equipamento portátil. Em algumas oportunidades larguei tudo e fui brincar com ele naquelas águas frias e quentes, em revezamentos.
Fomos conhecer o Jardim Japonês. O Pablo manobrou o carro no estacionamento e descemos para adentrar o espaço, que já tinha alguém vendendo os cartões postais do lugar, claro, compramos alguns e até hoje não sei onde foram parar. Tudo lindo. O Pablo já conhecia o local e foi o nosso guia. Aves, animais, peixes, pontes, lagos, coisas antigas… e soltamos o Bryan, que algumas vezes sumia das nossas vistas. Depois o encontrávamos de volta do roteiro, que o fez por algumas vezes. Tudo era muito rápido para ele e absorvia tudo com muita sede do saber cultural. Mostramos os equipamentos caseiros de outrora e ele fazia boas perguntas, que até nos surpreendiam.


Agora, um ano depois, a saudade é enorme e estou aguardando o nosso netinho chegar em férias, pois mudou-se para São Paulo, capital, para podermos arrumar os apetrechos de pesca que estão enferrujados, para irmos usufruir dos pesques e pagues da região e, claro, lhe dar um gostoso, apertado e fraterno abraço de vô.

Por Hermélio Silva

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