Opinião

Violência entre jovens: um reflexo da ausência familiar e da fragilidade das leis

 

O recente caso de tentativa de assassinato de uma estudante por um colega da mesma unidade escolar, em Rondonópolis, demonstra o preocupante grau de agressividade dos jovens e a falta de princípios morais que marcam esta geração, chamada pelos psicólogos de Geração Z.

O que vivemos, na realidade, é a ausência dos próprios pais, que, embora morem na mesma casa, estão a quilômetros de distância emocional dos filhos — e, muitas vezes, também do cônjuge e demais familiares. Em outros casos, trata-se da desagregação familiar que se intensificou nos últimos tempos: muitos jovens sequer conhecem seus pais biológicos. O “rodízio” de padrastos tornou-se comum, e muitas mães, com filhos de pais diferentes que não assumem suas responsabilidades, acabam sobrecarregadas, precisando trabalhar em vários empregos (quando conseguem) e sem tempo para acompanhar a vida dos filhos.

Essas crianças passam o dia em creches públicas, onde são cuidadas por “tias” que fazem o possível com os recursos limitados do Estado, mas que não substituem o carinho e o afeto que deveriam vir da família.

Por outro lado, as autoridades responsáveis por garantir a segurança da população também falham em sua parte. Na Assembleia Legislativa do Estado há, inclusive, um projeto engavetado que prevê a instalação de portas com detectores de metal nas escolas. Mas fica a pergunta: isso resolveria o problema? Ou seria apenas mais um gesto de despreparo e omissão dos nossos legisladores? Na minha simples opinião, não resolveria. Seria apenas uma forma de nossos “digníssimos” deputados lavarem as mãos, fingindo que estão fazendo algo.

Esse tipo de tragédia exige medidas muito mais profundas. É preciso compreender as causas reais do problema e encontrar o “X” da questão, que vai muito além do que imaginam nossas autoridades. Devemos rever o estado comportamental de nosso povo e, a partir daí, traçar um plano de ação para enfrentar o que está acontecendo com nossos jovens.

Num primeiro momento, é necessário reformar nossa legislação. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) precisa ser revisto, pois concede regalias excessivas a pessoas menores de 18 anos, muitas vezes isentando da devida punição jovens física e mentalmente formados. É urgente rever o conceito de “menor de idade” e estabelecer regras que inibam o uso desses jovens pelo crime organizado, justamente porque são inimputáveis.

Precisamos mais do que portas detectoras de metal — precisamos mudar o Estatuto, o Código Penal Brasileiro, criar leis mais firmes e, acima de tudo, fazer cumprir a lei. Chega de tantas regalias: visitas íntimas, “mercadinhos” dentro de presídios, reduções de pena… Tudo isso é um mau exemplo para a sociedade, que é quem paga a conta.

O povo brasileiro não aguenta mais esse descaso. Nossos políticos precisam ter coragem de enfrentar o problema pela raiz, formando uma força-tarefa para resolver de vez essa situação. No entanto, a maioria prefere criar leis que beneficiam a si mesmos ou grupos aliados.

Está mais do que na hora de revermos nossas leis e nossos conceitos sobre o chamado “menor de idade”. O futuro do país depende disso.

José Carlos Garcia
Editoria

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