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Seaf é parceira internacional identifica doença silenciosa entre trabalhadores rurais

Até o momento, 270 dos 500 exames previstos já foram realizados.

Seaf é parceira em pesquisa internacional que identifica doença silenciosa entre trabalhadores rurais

A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) é parceira de uma pesquisa científica de alcance internacional voltada ao diagnóstico precoce da Paracoccidioidomicose (PCM) – uma doença fúngica ainda pouco conhecida no Brasil e em Mato Grosso, mas que representa uma ameaça à saúde de trabalhadores rurais.

A iniciativa envolve a participação de 500 agricultores familiares de nove municípios da Baixada Cuiabana (Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Santo Antônio do Leverger, Nossa Senhora do Livramento, Jangada, Acorizal, Barão de Melgaço e Poconé), que estão sendo submetidos a exames de sangue para a detecção da doença.Conhecida como “paracoco”, a PCM é causada por um fungo presente no solo e pode afetar diversos órgãos do corpo humano, como pulmões, pele, linfonodos, ossos, sistema nervoso central e até órgãos genitais. A contaminação ocorre principalmente por meio da inalação de esporos por pessoas que trabalham diretamente com a terra.

Coordenado pela doutora Rosane Hahn, vinculada à Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o projeto “Diagnóstico Precoce da Paracoccidioidomicose em Indivíduos que trabalham com Agricultura Familiar e a Saúde do Trabalhador Rural” foi selecionado por edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e conta com financiamento integral.

Referência internacional nos estudos sobre a PCM, Rosane foi responsável pela descoberta de uma nova variante do fungo, o Paracoccidioides lutzii, a partir de pesquisas desenvolvidas no Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá. A descoberta colocou Mato Grosso no mapa mundial dos estudos sobre o “paracoco”.

Apesar da relevância do tema, a pesquisa enfrentava dificuldades para alcançar os trabalhadores diretamente expostos. A articulação com lideranças comunitárias e cooperativas só foi possível após o apoio da Seaf, por meio da atuação da coordenadora de Acesso aos Mercados, Doraci Maria de Siqueira. “Ficamos mais de um ano tentando contato com essas comunidades. Foi a Seaf que possibilitou essa conexão com os trabalhadores rurais e, com isso, conseguimos avançar nas coletas. Sou imensamente grata”, destacou a pesquisadora.

A secretária de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, ressalta a importância do apoio institucional a iniciativas que aliam saúde pública e fortalecimento da agricultura familiar. “Os trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar são a base da produção de alimentos no estado. É nosso dever apoiá-los em todas as frentes, inclusive na promoção da saúde. Essa parceria com a UFMT reforça nosso compromisso com a qualidade de vida no campo e com o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais”, afirmou.

As coletas são realizadas em assentamentos rurais, sempre pela manhã e com os participantes em jejum. O Hospital Universitário Júlio Müller é a referência para tratamento dos casos diagnosticados. Caso algum resultado seja positivo, o agricultor será encaminhado diretamente ao hospital, sem necessidade de fila ou regulação.

Até o momento, 270 dos 500 exames previstos já foram realizados. No próximo dia 15 de julho, 20 trabalhadores do distrito do Aguaçu, em Cuiabá, farão o exame. No dia 19, será a vez de outros 40 produtores da Associação de Agricultura Familiar da Gleba Resistência.

A previsão é de que o projeto seja concluído entre agosto e setembro deste ano, com os resultados sendo posteriormente publicados em revista científica internacional.

Leiagora
Foto: Marcus Mesquita
 

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