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Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

Importações de açúcar pela China saltam 320% no 1T26 para 620 mil t; milho avança 198% e fertilizantes 30,5%, beneficiando exportadores brasileiros

Os números que saíram da alfândega chinesa nesta semana deixaram pouca margem para dúvida: a China está comprando commodities agrícolas em ritmo acelerado, e o açúcar lidera essa corrida com folga. No primeiro trimestre de 2026, as importações do adoçante saltaram 320% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Em volume, o país absorveu 620 mil toneladas entre janeiro e março. Só em março, entraram 100 mil toneladas, 41,9% a mais do que em março de 2025.

 

Para quem acompanha o setor sucroenergético, esse sinal importa. A China é o maior país do mundo em população e uma das economias que mais cresce em consumo de alimentos processados. Quando ela acelera as compras de açúcar nessa magnitude, o impacto chega rápido ao mercado internacional e, inevitavelmente, ao Brasil, maior exportador global do produto.

Não existe uma causa única para um salto desse tamanho. O cenário combina produção interna chinesa abaixo do esperado, aumento no consumo doméstico e uma estratégia de recomposição de estoques que o governo chinês vem adotando com mais frequência desde 2024. A pressão sobre os preços internacionais do açúcar bruto já reflete parte desse movimento.

Para o setor canavieiro brasileiro, que abre agora a safra 2026/27, a notícia chega em boa hora. A demanda aquecida da China tende a sustentar as cotações e pode favorecer a decisão das usinas pelo mix mais voltado ao açúcar em detrimento do etanol, pelo menos nos primeiros meses da safra.

Milho e fertilizantes também disparam nas compras chinesas

O açúcar não está sozinho nessa tendência. As importações chinesas de milho em março chegaram a 220 mil toneladas, uma alta de 177,4% frente ao mesmo mês de 2025. Em valor, o crescimento foi de 150%, totalizando US$ 56,6 milhões só no mês. No acumulado do trimestre, o volume atingiu 770 mil toneladas, com avanço de 198% na comparação anual e valor total de US$ 197,6 milhões.

Os fertilizantes também entraram forte no radar das importações. Em março, a China comprou 1,68 milhão de toneladas, alta de 26,5% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre, o total chegou a 5 milhões de toneladas, crescimento de 30,5%. Esse dado tem relevância direta para o produtor brasileiro: a demanda chinesa por fertilizantes pressiona preços globais e pode encarecer os custos de produção das próximas safras.

mportações chinesas alcançaram 4,02 milhões de toneladas, crescimento de 14,7% frente ao mesmo mês de 2025, com valor de US$ 1,93 bilhão, alta de 19,9%. No entanto, no acumulado do primeiro trimestre, o volume recuou 3,1%, para 16,58 milhões de toneladas. Em valores, o crescimento foi modesto, de 1,7%, somando US$ 8,03 bilhões.

Isso significa que março foi forte, mas janeiro e fevereiro ficaram aquém do ritmo do ano passado, puxando o resultado trimestral para baixo. O cenário reforça a importância de não interpretar um único mês de alta como uma tendência consolidada.

Óleo de soja: alta no mês, queda no trimestre

O comportamento do óleo de soja seguiu lógica parecida. Em março, as importações chinesas somaram 10 mil toneladas, avanço de 45,1% na comparação anual, com valor de US$ 7,6 milhões, alta de 59%. Porém, no acumulado do primeiro trimestre, as compras caíram 35,3% frente ao mesmo período de 2025, totalizando 180 mil toneladas.

A oscilação indica que a China ajusta suas compras de derivados de soja de forma estratégica, aproveitando janelas de preço, o que torna esse mercado mais volátil e imprevisível para os exportadores brasileiros.

O que o produtor brasileiro precisa observar daqui para frente

Os dados do primeiro trimestre entregam uma mensagem clara: a China ainda é o termômetro mais importante do agronegócio global. Quando compra mais, move mercados. Quando recua, derruba cotações. O movimento atual, especialmente no açúcar e no milho, favorece o produtor brasileiro no curto prazo. Mas a assimetria entre o desempenho mensal e o trimestral da soja e do óleo de soja serve de alerta: a demanda chinesa pode ser intensa em um mês e fraca no seguinte.

Para o setor sucroenergético, o cenário de abertura de safra é animador. A demanda está aquecida, e a China sinaliza que quer comprar mais. A pergunta que fica é quanto tempo esse ritmo se sustenta, e se a oferta global vai conseguir acompanhar.

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