Opinião

Aliança por consenso: O espaço do PSDB na sucessão de Mato Grosso em 2026

O xadrez político para a disputa pelo Palácio Paiaguás em 2026 já começou a movimentar suas peças principais.

Por Izabel Torres

Na vanguarda desse processo, o PSDB de Mato Grosso, liderado pelo deputado estadual Carlos Avallone, foi a primeira legenda a oficializar apoio ao projeto de Otaviano Pivetta (Republicanos), rumo ao governo.

Mas como nenhum “almoço é de graça”, as cobranças do partido, através do deputado, começaram a chegar.

Mais do que um endosso precoce, a movimentação tucana traz consigo uma premissa clássica, mas fundamental, da governabilidade: “quem ajuda a eleger deve ter o direito e a responsabilidade de ajudar a governar”, fala do próprio Avallone, em entrevista recente à imprensa cuiabana.

A defesa de Avallone por um espaço na chapa majoritária — especificamente na vaga de vice — não evoca um mero fisiologismo, mas sim o peso do pragmatismo e da experiência. O PSDB carrega o selo de ter comandado o Palácio Paiaguás por dois mandatos e o Executivo nacional por outros três. Essa bagagem administrativa é o principal argumento dos tucanos para pleitear um papel de protagonismo técnico e político na futura gestão do estado.

Apesar de legitimar as aspirações de seu partido, o líder tucano demonstra maturidade ao sinalizar que a composição da chapa não pode ser fruto de vaidades ou de imposições unilaterais. Em eleições majoritárias, a escolha do vice-governador precisa obedecer a critérios estritamente estratégicos e matemáticos.

“Não é bem uma disputa, isso tem que ser um consenso. (…) Se a pessoa não for a correta, se as próprias pesquisas não identificarem isso, se não somar, é muito ruim”, Carlos Avallone

Essa visão reconhece que a viabilidade eleitoral e a coesão do grupo devem vir antes das pressões partidárias. A escolha deve nascer do diálogo e de dados concretos que apontem qual nome agrega mais valor à candidatura de Pivetta.

O desenho dessa coalizão, no entanto, é complexo e envolve outros atores de peso no cenário mato-grossense, como o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, que comanda um Podemos fortalecido e representativo.

Embora Russi ainda mantenha as cartas guardadas e não tenha oficializado o rumo de sua sigla, sua influência o coloca como um interlocutor obrigatório na mesa de negociações.

Porém, o que se ouve nos bastidores é que Otaviano Pivetta defende uma preferência para preencher a vaga de vice em sua chapa. Ele já declarou publicamente que quer uma mulher nessa vaga.

Os partidos aliados vão precisar de muita estratégia nas escolhas para mapear nomes competitivos, qualificados e que cumpram os requisitos políticos e de representatividade exigidos pelo projeto.

Para encerrar, podemos entender que a antecipação das discussões iniciadas pelo PSDB mostra que a corrida de 2026 não será decidida na última hora. Ao alinhar-se cedo a Pivetta, o partido garante seu lugar no debate sobre o futuro de Mato Grosso, mas também aceita o desafio de construir uma candidatura viável por meio do diálogo.

O sucesso dessa aliança vai depender da capacidade do grupo em equilibrar a legítima ambição dos partidos tradicionais com o pragmatismo das pesquisas e o desejo de renovação do eleitorado.

No fim das contas, a construção de uma chapa competitiva para o Palácio Paiaguás exigirá menos imposição e muito mais capacidade de ouvir. Resta saber se os envolvidos já atingiram esse nível de maturidade política.

Izabel Torres é jornalista

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