Opinião

ARTIGO: A comunicação do líder na crise

Liderança é atitude. Com essa afirmação trago a reflexão dessa semana: que tipo de líder você é diante de uma crise? Pois bem, atuando tão próxima de pessoas em cargo de gestão, liderança, ao longo de mais de 20 anos, é quase impossível não falar deste tema no momento em que vivemos. Sempre acreditei, e defendi, que liderança é atitude, comportamento, e não um cargo. Nos momentos críticos é que os perfis se revelam e uma observação se torna imprescindível: há que se ter o cuidado de não criar novas crises em meio à crise já existente!

Há uma linha tênue entre as atitudes que farão de você um líder que deixará marcas expressivas de superação ou de naufrágio. Começando pelos aspectos positivos, e extremamente necessários, diria que comunicação clara e transparente fará total diferença durante e após o processo.

Um dos métodos de gestão de crise que desenvolvi, tendo como base técnicas de Coaching de Comunicação, engloba especialmente: Comunicação Assertiva, Estratégica e a Escuta Ativa. Pontos que formam o que denominei “Tríade Powerful Key” – ou as chaves poderosas -, extremamente necessária para muitos setores, especialmente de saúde e economia, diante da proliferação do novo coronavírus.

Dentre vários conceitos e aplicações, para definir o posicionamento do líder, ou grupo de líderes com os quais atuo, uso como base uma regra: não tente minimizar o cenário crítico. Não faça isso jamais. Clientes, fornecedores, colaboradores, seus stakeholders também estão no cenário e vivenciam a dimensão do problema tanto quanto você (caso você seja o líder). Não queria vender uma aparente calmaria que todos estão vendo que não existe.

Saber a hora de falar, a hora de calar é uma das atitudes esperadas de um bom líder diante de qualquer tipo de crise. Além disso, cercar-se de pessoas preparadas, ter bom senso e equilíbrio são regras básicas. Ter timing para tomada de decisões e saber comunicá-las, apontando as soluções, e já se preparar para o que virá adiante – mesmo num cenário nebuloso, projeções ajudam. Ou seja: assumir a rédea da situação, implementando soluções e dando respostas rápidas, porém coesas e permanentes.

Sempre bom levar em consideração que a equipe se engaja mais quando o líder é autêntico, determinado, coerente e humilde para aprender, administrando suas emoções. Serenidade ao lidar com pressão, números negativos, reclamações constantes não é fácil, mas fugir, ignorar e terceirizar culpas são atitudes que demonstram desespero e despreparo, afastando ainda mais o líder da equipe.

Mantenha as portas abertas. Mostre-se. Também compete ao líder unir a equipe para que todos trabalhem focados a vencer a fase difícil. Desta forma, a credibilidade aumenta e se tornará uma referência digna de ser seguida.

Lembre-se: esta é a oportunidade de dar espaço a demais membros da sua equipe/empresa. Ouça. Demonstre interesse. Crise não permite espaço para autoritarismo. Além de compartilhar o peso, ouvir novas ideias e opiniões, a escuta ativa e a comunicação assertiva farão com que os laços sejam fortalecidos e, quem sabe, trazer à tona novos talentos que antes estavam escondidos. O velho e bom clichê é assertivo, use-o: juntos venceremos!

 

KAROL GARCIA é jornalista, palestrante, coach e mentora em Comunicação Corporativa, especialista em Gerenciamento de Crise e Comunicação Agro, é CEO da KG Estratégia e Gestão. www.kgcomunicacao.com.br – Instagram: @kgestrategiaegestao

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