Cultura

Artista plástico literário

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No primeiro, havia um céu azul, com nuvens brancas e um rastro de fumaça que parecia ser de um avião a jato que eu via passar quando garoto na Bahia. No segundo, uma índia empurrava um carrinho de bebê e olhava para o alto como se estivesse admirando alguma coisa, talvez o avião do quadro anterior. Noutro quadro, havia um peixe-pássaro, nadando num aquário que estava dentro de uma gaiola, e um rabo de gato, que indicava estar à espreita. No quarto, um peixe-pássaro, pássaro-peixe ou um beija-flor multicor – que parecia ter saído da obra anterior –, fingindo pousar na vertical, bulia num seio marrom e lactante que gotejava. Essa obra tinha cores vibrantes, de pinceladas fortes e precisas, num mais moderno pop. No penúltimo, havia um gato, que não tinha todo o rabo desenhado na tela. Com cara de migué, bebia um líquido que formara uma poça. O último, que nos levava ao desfecho da obra num todo, era uma estrela pontiaguda que emitia raios solares amarelo-ouro intensos, numa tela azulesverdeada, onde três borboletas sem dó de tintas esvoaçavam. Não vi o tempo passar naquela tarde.

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Do livro “Um alquimista no Pantanal”, 2001, de Hermélio Silva.

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