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Cuiabá-MT: Desembargadora é confundida com funcionária de supermercado por ser negra

Adenir Carruesco é a segunda mulher negra a ocupar a presidência do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso. Após o episódio, a desembargadora afirmou que a situação reflete o racismo estrutural no país.

 

desembargadora Adenir Carruesco, que relatou ter sido confundida com uma funcionária em um supermercado de Cuiabá, é presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23), sendo a segunda mulher negra do estado a assumir a cadeira. O caso, classificado como racismo estrutural, ganhou repercussão após ser divulgado pela própria desembargadora nas redes sociais.

Carruesco atua há 29 anos na Justiça do Trabalho e está à frente da Corte no biênio 2024/2025.

Natural de Santa Cruz de Monte Castelo (PR), Adenir iniciou sua trajetória na Justiça do Trabalho em Mato Grosso em 1994, ao ingressar como juíza do trabalho substituta. Em 2004, foi promovida a juíza titular, atuando em Alta Floresta e Primavera do Leste. No ano seguinte, passou a atuar na 1ª Vara de Rondonópolis, onde permaneceu por 16 anos. Em dezembro de 2021, tomou posse como desembargadora em Cuiabá.

Segundo ela, sua carreira no direito começou na juventude, quando passou em um concurso para o TJMS e trabalhou no fórum. Inicialmente, interessada em Educação Física, acabou se aproximando do direito ao vivenciar o ambiente jurídico, o que a levou à faculdade em Dourados. Nesse período, conciliou trabalho e estudos em uma vara cível, conseguindo se sustentar e ajudar a família.

Após se formar, foi aprovada no concurso da Justiça do Trabalho de Mato Grosso em 1994, atuando em diferentes cidades até se estabelecer em Rondonópolis, onde também lecionou em faculdades de direito.

Denúncia de racismo em mercado

Desembargadora denuncia racismo após ser confundida com funcionária em supermercad

O caso ocorreu no domingo (17), quando a magistrada fazia compras em um supermercado da capital mato-grossense e foi abordada por uma mulher que pediu informações sobre produtos e localização de itens, acreditando que ela trabalhava no local.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Carruesco afirmou que a situação reflete uma lógica social enraizada no Brasil, que associa pessoas negras a posições de subserviência.

“O lugar natural do preto é o serviço. A lógica diz: ‘Preto não é juiz. Preto não é desembargador’. Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal”, declarou.

 

Em entrevista ao g1, a magistrada disse não ter registrado boletim de ocorrência por entender que a configuração de crime exige intenção de discriminar. Para ela, o caso não deve ser visto como ação isolada.

“Na hora, compreendi o que estava acontecendo: não era um erro individual […] Minha denúncia não é contra uma pessoa; é contra uma estrutura”, afirmou.

 

A desembargadora também relatou surpresa com a repercussão do vídeo e com o número de pessoas que se identificaram com a situação.

g1MT

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