Internacional

Ditador brutal: quem é al-Assad, ex-líder da Síria condenado à morte

O tribunal sírio condenou Bashar al-Assad à revelia por crimes de guerra e contra a humanidade; ex-presidente está exilado na Rússia

O ex-ditador sírio Bashar al-Assad foi condenado à pena de morte por crimes contra a humanidade, nesta terça-feira (11/8), por um tribunal daquele país. Exilado em Moscou com a família desde dezembro de 2024, Assad é o primeiro integrante do antigo regime a ser julgado por crimes de guerra pelas autoridades do governo de transição.

Assad foi condenado à pena de morte junto ao ex-funcionário do governo e primo Atif Najib e ao irmão Maher al-Assad.

Conhecido por seu governo brutal, o então presidente Assad tranformou a Síria em palco, desde 2011, de  uma guerra civil que abriu espaço para a ascensão do grupo extremista ISIS. O conflito ocasionou uma guerra por procuração internacional e uma crise humanitária de refugiados.

Quem é Bashar al-Assad

O ditador, de 60 anos, passou 24 anos no poder, sendo deposto depois que o país enfrentou uma guerra civil em 2011. O estopim para os conflitos foram protestos da Primavera Árabe, que pediam reformas políticas e maior liberdade e democracia na Síria. Além disso, manifestantes cobravam a libertações de estudantes presos por picharem slogans revolucionários pela queda do regime.

Assad assumiu o poder em 2000, em uma eleição sem oposição, após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, líder que ascendeu da pobreza ao comando do Partido Baath, tomou o poder em 1970 e assumiu a presidência no ano seguinte. O pai era um aliado soviético que governou a Síria por três décadas e, assim como o filho, foi conhecido por uma liderança de opressão generalizada e surtos periódicos de extrema violência estatal.

Como segundo filho, o ditador não tinha perspectivas de assumir o legado do pai. No entanto, o irmão mais velho, Bassel, preparado para a sucessão, morreu em um acidente de carro em 1994. A partir do ocorrido, Bashar passou a ser preparado para o poder: estudou ciências militares e tornou-se coronel do exército sírio.

 

Ao assumir após a morte do pai, Assad atraiu olhares nos Europa e nos Estados Unidos por vender, nos primeiros anos de governo, uma imagem “moderna e ocidentalizada” para passar uma falsa ideia de reforma. A expectativa de uma Síria moderada foi quebrada após o novo líder manter laços tradicionais com o Hamas e o Hezbollah.

Em 2011, no contexto da Primavera Árabe, protestos populares exigindo reformas, liberdade e a libertação de estudantes presos por pichações revolucionárias foram violentamente reprimidos pelo regime, ocasionando uma devastadora guerra civil.

Ao longo do conflito, o regime de Assad recorreu ao uso de armas químicas contra a própria população, bombardeios a áreas civis e tortura sistemática, mantendo-se no poder graças à intervenção militar direta da Rússia e do Irã.

Em 2024, uma ofensiva rebelde derrubou o regime e o ditador fugiu para Moscou, onde vive exilado sob a proteção do governo russo.

Metrópoles

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *