Editorial

Do “Quarto Poder” das Democracias à Crise de Credibilidade: a transformação do jornalismo brasileiro

 

Foi-se o tempo em que o jornalismo era considerado o “quarto poder” das democracias. Restam-nos as lembranças de alguns nomes históricos do jornalismo brasileiro que, de fato, formavam opinião.

João Batista Líbero Badaró foi um importante jornalista do século XIX. Ele foi assassinado em 1830, em consequência de suas denúncias contra a corrupção e os abusos de poder durante o Primeiro Reinado. Sua morte provocou forte comoção popular e contribuiu para o desgaste político que culminaria, no ano seguinte, com a abdicação de Dom Pedro I em favor de seu filho, o então menor de idade Dom Pedro II.

Rachel de Queiroz foi uma das pioneiras do jornalismo brasileiro. Em 1953, tornou-se a primeira mulher a escrever crônicas para o jornal O Estado de S. Paulo. Sua atuação na imprensa começou ainda na adolescência, quando colaborava com o jornal O Ceará, que circulava em Fortaleza e em todo o estado. No Estadão, escreveu artigos e crônicas que refletiam suas posições políticas e sociais.

O jornalista Vladimir Herzog (1937–1975) foi um defensor da liberdade de expressão no Brasil. Em 1975, após ser detido pelos órgãos de repressão da ditadura militar, foi torturado e assassinado. Herzog trabalhou na TV Cultura, onde apresentou o telejornal Hora da Notícia. Ao longo de sua carreira, também atuou em importantes veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo, a BBC e a revista Visão.

Mais recentemente, destaca-se o jornalista Ricardo Boechat (1952–2019), um dos maiores nomes da comunicação brasileira contemporânea. Atuou nos jornais O Globo, Jornal do Brasil e O Estado de S. Paulo. Foi o principal âncora do Jornal da Band e também comandava um programa diário na BandNews FM. Boechat ganhou notoriedade pela disposição em questionar grandes empresas, autoridades e figuras públicas, denunciando irregularidades e abusos de poder.

Com o advento da internet, das redes sociais e dos canais de vídeo que se multiplicam diariamente, a imprensa tradicional perdeu parte de sua centralidade como fonte de informação. Muitas pessoas passaram a consumir conteúdos produzidos sem critérios jornalísticos ou sem a devida verificação dos fatos, o que contribui para a disseminação da desinformação.

Para muitos observadores, a ideia de uma imprensa plenamente neutra tornou-se cada vez mais questionada. Críticos afirmam que parte dos veículos passou a adotar posicionamentos mais explícitos em relação a temas políticos e sociais, o que teria contribuído para a perda de credibilidade junto a determinados segmentos da população. Nesse contexto, o debate sobre a imparcialidade, a qualidade da informação e o papel do jornalismo na democracia permanece mais atual do que nunca.

José Carlos Garcia/da editoria

 

 

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