Cultura

Entre caminhos e abraços

*Noêmia Madureira de Souza

Uma viagem marcada por encontros, delicadezas e a força invisível que nos sustenta. Há viagens que começam antes mesmo da partida. A minha começou no silêncio de uma notícia inesperada — dessas que atravessam o dia como um vento que muda tudo de lugar. Ainda assim, arrumei a mala, respirei fundo e segui. Porque, de algum modo, eu sabia: aquela não seria apenas uma viagem.
Rumo a Sinop – MT, atravessei estradas e pensamentos, acompanhada de uma amiga querida, Aleny Terezinha, companheira de palavras e de sonhos. Entre conversas e silêncios, o caminho foi se fazendo mais leve.
Ao chegar, fomos acolhidas com cuidado e gentileza. O hotel, limpo e perfumado, parecia nos dizer que descansar também é uma forma de seguir. Pelas ruas, algo simples e raro: pessoas que sorriam, que cumprimentavam, que nos lembravam, em pequenos gestos, que o mundo ainda sabe ser afeto.
Mas foi no encontro que tudo ganhou outro sentido.
O “VI Encontro Nacional” e “V Encontro Internacional da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil” (AJEB) reuniu mulheres de tantas histórias, tantas vozes, tantas vidas entrelaçadas pela palavra. Ali, compreendi que escrever também é permanecer — é deixar raízes no tempo.
Em meio à programação, fui surpreendida por um gesto que jamais esquecerei. Minha família, mesmo distante, encontrou um jeito de me abraçar: flores chegaram até mim, carregando amor em cada pétala.
E então, no palco, veio outro abraço — daqueles que não se tocam, mas envolvem por inteiro.
A presidente Leni Zilioto me chamou, e, diante de todos, transformou aquele momento em acolhimento. Suas palavras não eram apenas dela — vinham carregadas da força de muitas. Ali, entendi que não caminhava só.
Havia, naquele espaço, algo invisível e poderoso nos unindo — como um fio que atravessa mundos, ligando dores e esperanças, medos e coragem.
No dia seguinte, entre falas e partilhas, ouvi sobre a perenidade do pensamento pela palavra. E senti. Senti que há coisas que não passam, que resistem, que florescem mesmo em tempos difíceis.
Sinop nos recebeu de braços abertos. Em um almoço generoso, oferecido pelo prefeito Roberto Dorner, junto de sua família e da ex-prefeita Rosana Martinelli, conhecemos um pouco mais da terra, das raízes, do nosso Mato Grosso.
E foi assim que voltei. Com a mesma mala — mas não a mesma.
Porque há viagens que não terminam quando chegamos. Elas continuam dentro da gente, como um sopro, como um fio invisível… ligando o que fomos ao que ainda seremos.

 


*Noêmia Madureira de Souza

É professora efetiva da Rede Municipal de Ensino, atualmente diretora de CMEI, Psicopedagoga Clínica e Institucional, e Escritora. Integra o Grupo de Escritores Brasileiros (GAEB) e a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil.

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