Autos e Motores

Ford do Brasil: picapes e caminhões fabricados antes de 2000

 

Em 1953, com a fundação da Petrobrás, o presidente Getúlio Vargas resolveu transformar o Brasil,  um país essêncialmente  agrícola em uma nação industrializada. A CSN-Companhia Siderurgica Nacional, conhecida como  Usina de Volta Redonda estava operando em pleno vapor. Getúlio começou criando barreiras às importações, estimulando a fabricação de veículos por aqui.

Nessa época as peças usadas nas linhas de montagens, vinham de seus píses de origem. As peças da Ford no Brasil vinham diretamente dos Estados Unidos. Mas a empresa já estava planejando construir uma nova fábrica no bairro paulistano do Ipiranga. A Ford montava seus veículos desde  1919e já planejava a construção de uma nova linha de montagem no bairro do Bom Retiro, coração de São Paulo. Em 1955, as cabines da Série F passaram a ser estampadas aqui, usando as matrizes do modelo americano de 1953.

A fabricação no país de fato foi iniciada em agosto de 1957, com o caminhão F-600,  com 40% de nacionalização.

No ano seguinte, a marca começou a produzir aqui a picape F-100. Com cabine do modelo 1953, já estampada aqui, com algumas atualizações.

Linha Ford 1959

A beleza das linhas, seu destaque porém era o motor V8, Powerking 272, que também já estava sendo fabricado no Brasil, trazia válvulas nos cabeçotes. Esse motor  dava à picape  uma agilidade fora do comum para os padrões da época. Uma década depois, esse mesmo motor equiparia o primeiro carro de passeio da marca feito no Brasil — o luxuoso Galaxie — e continuaria sendo a alma da F-100 até os anos 70.

Nesse tempo em que baús frigoríficos eram raros, era comum encontrar, de madrugada, nas precárias estradas brasileiras, os F-600 transportando suas cargas perecíveis a mais de 100 km/h.

Ford F100 1962

As primeiras F-100 era bem convencionais, Chassi do tipo “escada”, eixos rígidos com feixes de molas semi-elípticas tanto na dianteira quanto na traseira. Casado ao motor V8, vinha um câmbio de três marchas, com alavanca na coluna de direção. Os freios eram a tambor nas quatro rodas, e o consumo na estrada ficava em cerca de 6 km/l.

As primeiras modificações estéticas não tardaram: em 1959, a cabine da F100 brasileira ganhou o mesmo para-brisa panorâmico (ou seja, envolvente e 20% maior). O painel mudou. Vieram também radiadores maiores e novas molas, além de alterações na embreagem e nos freios. Um novo emblema foi criado, com as cores verde e amarela.

Em junho de 1960, outra novidade: a caçamba ganhou linhas retas e teve sua capacidade de carga ampliada. Saíram de cena os para-lamas salientes, simpáticos, mas que desperdiçavam espaço.

Em 1962, os caminhões e picapes feitos no Ipiranga passaram por uma metamorfose. Nascia a linha Super Ford: a F-100 brasileira passava a ter linhas mais quadradas, ficando visualmente igual aos modelos americano de 1960.

Mudanças mecânicas de fato só vieram em 1968, quando a F-100 trocou o eixo dianteiro rígido pela suspensão Twin-I-Beam, com braços oscilantes independentes e molas helicoidais. Isso transformava a picape Ford em um veículo mais confortável de dirigir.

A antiga Pick-up Jeep, depois renomeada F-75, modelo era herança da Willys-Overland, que foi comprada pela Ford do Brasil em 1967, esse modelo era sucesso de vendas, graças ao preço baixo e à valentia da tração nas quatro rodas, por esse motivo ficou em linha por muitoas anos.

Ford F100 1970 – com suspensão Twin-I-Beam

A primeira crise do petróleo só piorou a situação da F-100, até então equipada com o V8 272. Assim, no fim de 1976, a picape ganhou uma opção de mecânica mais moderna e, principalmente, econômica: o motor OHC a gasolina de quatro cilindros e 2,3 litros, já usado no Maverick. Rendia 120 cv brutos. De quebra, a picape ganhou eixo traseiro mais largo e tanque para 87 litros — algo valioso em tempos de racionamento, com postos proibidos de funcionar nos fins de semana.

Linha Ford 1972

A versão a diesel veio em novembro de 1979: era a F-1000. Seu motor era um MWM de quatro cilindros e 86 cv., o novo motor tinha funcionamento mais suave e menos ruidoso.

A picape era lerda, mas as vantagens econômicas sobre as versões a gasolina eram enormes. A partir daí, a F-1000 passou a dominar a linha de picapes da Ford. Para atender à legislação, as versões a diesel tiveram a capacidade de carga aumentada de 750 quilos para uma tonelada. E tome mola endurecida para suportar o peso extra…

Aos poucos, a picape foi sendo modernizada, ganhando freios a disco e direção hidráulica. Em 1982, veio também uma versão da F-100 com o motor OHC convertido para usar álcool.

Ford F1000

Em 1989, veio também com um motor de seis cilindros e 2,6 litros a álcool, importado da argentina. A versão com essa mecânica foi batizada de F-1000A.

E a velhinha F-1000 ia sobrevivendo. Chegou a ganhar um motor MWM turbinado, de 119 cv e 37 kgfm, para o modelo 1991, mas, a essa altura, a terceira geração de picapes da Ford do Brasil já completava 20 anos no mercado.

Quarta geração durou pouco

Em 1992, chegou a nova F-1000, com carroceria mais simples, reta e moderna. Dois anos depois, em 1995, veio outra configuração, equipada com o motor 4.9i de seis cilindros em linha a gasolina. Com 148 cv e 34,5 kgfm de torque, era cheio de força e tinha um belo ronco.

Durante muito tempo, quem queria uma F-1000 com tração nas quatro rodas precisava adaptar kits de empresas como a Engesa. Na virada de 1993 para 1994, porém, a Ford lançou a F-1000 4×4 de fábrica. Utilizava eixo dianteiro Dana 44, caixa de transferência acionada por alavanca e vinha com o motor MWM 229 Turbo.

Em 1996, a F-1000 ainda passou por um último facelift, ganhando linhas mais arredondadas e grade maior. Mas o modelo já estava com os dias contados.

A sucessora oficial chegou no fim de 1998: era a F-250, que seria fabricada pelos 14 anos seguintes em São Bernardo do Campo, sem o mesmo carisma das antecessoras. E, a essa altura, o público brasileiro já migrava em peso para picapes médias, como a Ford Ranger.

Autos e Motores

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *