Cultura

Grafite

*Isaías Dias

 

O lápis corre no branco papel

Riscos e mais riscos tinge a face desnuda

Existe um rosto marcado pelo tempo

Das caatingas e mandacarus ao sol

Onde a capoeira germina, e a quentura é tropical.

 

Cada risco é a memória dilatada

Nas latadas de pau-a-pique

Em redes balançando em sombras cavernais

No bico o assovio chamando o bem-te-vi

Bem que ti vi por aí sem rumo.

 

A careca vai tomando conta da testa

Enquanto os fiapos de pelos ainda lutam no pé da orelha

Persistem com coragem sem querer cair.

É o tempo que passa, contando cada fio caído

E a testa virando mar em tempo integral.

 

Tudo foi colorido, hoje está sem cor

A barba insiste em virar algodão ainda sem limpar

Os caroços rebocam a cor, encardido

Não sei se existe essa cor.

 

O sorriso fica a esmo, seriedade de homem vivido

E o grafite enche de cores brancas e pretas da raça

Sem graça, as rugas insistem em se mostrarem

Não tem jeito, é passar desapercebido

Sem exibição na hora de passar.

*Isaías Dias – Pastor, professor, músico, poeta e escritor, com oito livros publicados. Membro da Academia Rondonopolitana de Letras – ARL, cadeira nº 14.

 

Foto do autor: Acervo.

Foto da coluna: Cesar Augusto.

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