Polícia

Mato Grosso: mortes por intervenção policial caem 33,2%

Estado registrou 143 mortes em 2025, contra 214 no ano anterior; dados estão disponíveis em painel do Ministério Público

Mato Grosso registrou 143 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, redução de 33,2% em relação às 214 contabilizadas em 2024. Foram 71 mortes a menos no período, conforme dados divulgados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

As informações estão reunidas em um painel desenvolvido pela instituição para dar transparência aos registros e subsidiar políticas de segurança pública e o controle externo da atividade policial. A ferramenta deverá receber atualizações periódicas e novos recortes de análise.

Apesar da queda, a coordenadora adjunta do Centro de Apoio Operacional (CAO) Criminal e do Controle Externo da Atividade Policial, promotora Nathalia Moreno Pereira, ressalta que a comparação entre os dois anos não é suficiente para compreender o cenário.

“A redução de 214 para 143 registros é relevante, mas a análise não se esgota no número absoluto. Para compreender o fenômeno, é essencial considerar a série histórica, as taxas e a distribuição territorial das ocorrências”, afirmou.

Os números também não permitem concluir, isoladamente, se houve irregularidade nas intervenções. Segundo a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, essa avaliação depende da apuração das circunstâncias de cada caso.

“Os indicadores descrevem a ocorrência do evento, mas não explicam suas circunstâncias. Eles não antecipam juízo sobre licitude ou responsabilidade, aspectos que atualmente não integram a estatística e dependem de análise jurídica e probatória do caso concreto”, explicou.

O painel integra as ações de um comitê interinstitucional voltado à letalidade policial e à vitimização de profissionais da segurança pública no estado. O grupo trabalha na produção de diagnósticos, no aperfeiçoamento de protocolos e no compartilhamento de dados entre as instituições.

Coordenador do CAO Criminal, o promotor Luiz Fernando Rossi Pipino destacou que a qualidade das informações é central para o trabalho. “O painel foi concebido justamente para garantir transparência com rigor metodológico, permitindo uma leitura mais qualificada e responsável dos indicadores”, disse.

Leiagora

Foto: divulgação

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